Entidades pedem participação da indústria em debate sobre aftosa
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terça-feira, 21 de junho de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Os representantes de entidades do agronegócio e de pesquisa que estiveram ontem no debate "Paraná livre de aftosa sem vacinação", promovido pelo Grupo Folha no Auditório Frezarin, em Londrina, pediram uma maior participação de integrantes da indústria de carnes na discussão. O objetivo é que a interlocução da ponta comercial da cadeia fortaleça a corrente por políticas públicas duradouras e de Estado, para criar um sistema de vigilância sanitária que possibilite o fim da imunização contra a doença no Estado.
O tema ganhou força nos últimos meses depois que a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) começaram a defender a interrupção da vacinação contra a aftosa, para que a região desse o próximo passo como área livre da doença e ganhasse mercados mais valorizados, como os da China, Japão e Estados Unidos. Apesar de a imunização ainda estar em vigor neste ano, produtores rurais se mostraram preocupados com eventuais riscos de a enfermidade reaparecer no Estado.
Por isso, o Grupo Folha buscou fomentar o debate de um tema de suma importância para a economia local. "Consideramos que a FOLHA, como um dos principais grupos de comunicação do Paraná, tem a responsabilidade de gerar conteúdo e informação para que lideranças públicas e privadas possam tomar uma decisão em benefício da sociedade", disse o superintendente do Grupo Folha, José Nicolás Mejía, na abertura do evento. "Também consideramos importante divulgar essas informações ao público em geral e aos pequenos produtores, que possivelmente não conseguem participar ativamente desta discussão e que têm o direito de conhecer os argumentos a favor e contrários a essa iniciativa", completou.
PARCERIA
O diretor presidente da Adapar, Inácio Afonso Kroetz, disse que não há mais contestação, tanto no País quanto na América Latina, de que o caminho natural de qualquer mercado é passar de área livre com vacinação para área livre sem vacinação. Porém, ele reconheceu que a crise política e econômica pela qual a nação passa atrapalhou o desenvolvimento sanitário. "É preciso fortalecer as parcerias público-privadas. Não se fará evolução sustentável se não for do gosto daquele que cria, do que vende, do que exporta e do que quer manter seu patrimônio, e não vi essa parceria acontecer de fato no Paraná com a intensidade necessária."
No mesmo sentido, o assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Antônio Poloni comentou a necessidade de comprovação da viabilidade econômica para que a mudança de status da região ocorra. "Os industriais, que são os maiores beneficiados nesse processo, precisam participar, ou não conseguiremos fechar o circuito para ter força política de fechar a questão."
Pontos negativos
Por outro lado, o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni, lembrou que o desejo de seguir a rota da sanidade sem vacina não pode ser tomado sem ampla análise dos pontos negativos. "Todos os estudos que vi mostram que há riscos grandes e não consigo entender por que o Paraná não aciona parcerias com os estados vizinhos, o que ao menos evitaria o prejuízo do melhoramento genético", disse. Ele se referiu ao fato de apenas 10% do gado brasileiro ser inseminado e o restante depender de contato com reprodutores. "Se fechar as barreiras, será preciso investir em genética e isso dificulta."
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, afirmou que não discorda de quem defende o fim da vacinação para abrir mercados, nem daqueles que temem o risco de reaparecimento da aftosa no Paraná sem a imunização. Para ele, o mais importante é conseguir apoio para a implementação de um controle sanitário baseado em políticas de Estado, e não de ações que mudem a cada governo. "Não é questão de vacinar ou não", disse. "Vamos precisar dos políticos para poder melhorar nossa defesa, que deve ser robusta e perene", completou.
Leia a cobertura completa do debate na "Folha Rural" deste sábado.


