Entidades patronais pedem fim de feriados municipais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Fábio Galiotto e Nelson Bortolin<BR>Reportagem Local 
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal) divulgaram no início da noite de ontem que pediram ao prefeito Alexandre Kireeff a revisão sobre todos os feriados municipais. Em ofício encaminhado à prefeitura, as entidades patronais solicitaram que seja avaliada a possibilidade de que as datas sejam instituídas em fins de semana, para "resguardar o funcionamento e equilíbrio econômico e produtivo da indústria e do comércio".
Desde a semana passada os principais sindicatos patronais obtiveram liminares na Justiça que permitem a abertura de lojas e fábricas no Dia da Consciência Negra, no próximo dia 20 (leia mais em texto nesta página). O argumento usado nos pedidos de antecipação de tutela foram que o Município não poderia instituir feriados cívicos, mas apenas quatro datas religiosas, segundo a Constituição Federal. Ainda, citaram que a paralisação de trabalhadores causaria prejuízos econômicos. Com as decisões, as empresas não podem ser multadas pela prefeitura e ficam livres de pagar horas extras aos funcionários no dia.
Conforme as entidades patronais, cerca de R$ 14 milhões deixam de circular na cidade em cada feriado. O presidente do Sindimetal, Valter Orsi, disse que a medida é impopular, mas que nem tudo que é aclamado é correto. "O Brasil é campeão de feriados e tem um dos piores índices de produtividade do mundo. E quando se produz pouco, se perde em empregos", citou Orsi, para quem é preciso entender as necessidades criadas pela modernidade. "Nossa intenção é que seja como nos dias dos Pais e das Mães (aos domingos). É o momento de repensarmos Londrina."
No entanto, o argumento econômico não convence a todos. "Isso é ganância. Passar tempo com a família e os filhos, para eles (empresários), não tem importância. É preciso pensar nisso também, e não só pensar como o Tio Patinhas", afirmou ontem o presidente da Força Sindical em Londrina, Sebastião Raimundo da Silva. Ele disse que muito se fala sobre o custo do trabalhador, mas que os salários não são altos no País. "Depois eles ainda chamam o empregado de colaborador, mas não têm um pingo de consciência nesse sentido."
O prefeito Alexandre Kireeff afirmou que considera o pedido de revisão dos feriados municipais coerente com as ações que as entidades vêm tomando na Justiça para manter as lojas abertas. "Entendo o ponto de vista dessas entidades que têm o dever de incentivar a atividade econômica no município", disse. Ele explicou que vai analisar os "aspectos jurídicos e administrativos" do pedido feito pela Acil e o Sindimetal. "Precisamos estudar o impacto (de mudar os feriados para dias não úteis)."
Já a Igreja Católica é contra a proposta. De acordo com o monsenhor Bernardo Gafá, "quem não pode comprar hoje (porque as lojas estão fechadas) compra amanhã". Para ele, os comerciantes "exageram" quando argumentam seus prejuízos com os feriados. Gafá disse, no entanto, ser contra o feriado da Consciência Negra (20 de novembro). "Todo mundo tem direito igual. Então vai ter feriado para branco, índio e amarelo também?", questionou.
O presidente da Acil, Flavio Balan, foi procurado no início da noite de ontem, mas estava em viagem e não foi encontrado para comentar o assunto. Londrina tem hoje dois feriados municipais além do Dia da Consciência Negra, que são em 7 de junho, dia do Sagrado Coração de Jesus, e 10 de dezembro, no aniversário de Londrina.
Leia também:
- Mais dois sindicatos conseguem liminares


