A pressão de sindicatos, prefeituras, secretarias estaduais e entidades paranaenses ligadas ao agronegócio surtiu efeito e, ontem pela manhã, o governo federal informou que estendeu até o início de maio de 2016 o prazo para inclusão das propriedades rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O anúncio foi divulgado pelos ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário). A data limite para preenchimento do CAR seria hoje.
O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, que deve ser feito através do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Siscar). A finalidade é integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente (APP), das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, áreas de Uso Restrito e consolidadas das propriedades e posses rurais do País, como estratégia principal do controle, monitoramento e combate ao desmatamento.
Os ministros aproveitaram para apresentar o número de adesão dos produtores brasileiros ao CAR até o momento, o que definitivamente comprovou que havia necessidade da prorrogação do prazo. No País, a área cadastrada foi de 51,3% dos 373 milhões de hectares, algo em torno de 191,5 milhões de hectares. O número de imóveis registrados foi de 1,37 milhão. A região Sul foi a área de menor adesão, com 13,7%. No Paraná, foram 102,6 mil imóveis, algo em torno de 3,4 milhões de hectares, do total de 15,3 milhões passíveis de cadastro, 22,3% do total. Santa Catarina fechou com 34,9% e o Rio Grande do Sul, com ínfimos 0,84%.
No que diz respeito a outras regiões, a Norte foi a que mais se dedicou aos cadastros, com 69,2% da área total. Na sequência estão o Centro-Oeste (54,2%), Sudeste (27,3%) e o Nordeste (15,38%). Em estados com latifúndios, como é o caso do Mato Grosso - com 99% do total cadastrado - a resposta ao CAR foi mais intensa em comparativo aos estados em que a economia de agricultura familiar predomina. Muitos produtores tiveram dificuldade de trabalhar com o SisCAR, sistema no qual o governo investiu R$ 140,5 milhões.
O presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina, Narciso Pissinati, disse que os produtores associados receberam a notícia com alívio. Para ele, o programa de envio dos dados era muito complexo e incompleto, o que dificultou bastante a adesão do pessoal. "O sindicato indicava quatro técnicos para realizar o envio para os produtores. Quem fez, foi por extrema necessidade, pois precisava vender ou dividir a terra. Foi uma boa notícia, de alívio, mas ainda considero um prazo pequeno em meio a tantas dúvidas que ainda temos", complementou.
Em nota, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, disse que a entidade pressionou o governo e o Ministério do Meio Ambiente de todas as formas para que o prazo fosse estendido. "A demora no anúncio (da prorrogação) criou um estresse desnecessário que, lamentavelmente, mesmo com a confirmação da prorrogação do CAR, ainda nos fará lidar com as consequências de um grande número de preenchimentos errados para o cumprimento do prazo, resultando em problemas na análise dessa documentação".
Meneguette ainda disse que a presidente Dilma Rousseff "passou a bola" para a ministra do Meio Ambiente, quando ela mesmo poderia ter dado o anúncio "e ficar de bem" com mais de cinco milhões de produtores rurais do País e cerca de 530 mil no Paraná". "Não apenas foi algo curioso, mas um gesto de falta de sensibilidade política de um governo tão carente de boas notícias".

Imagem ilustrativa da imagem Entidades paranaenses comemoram prorrogação do CAR
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