Entidades paranaenses comemoram prorrogação do CAR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem local 
A pressão de sindicatos, prefeituras, secretarias estaduais e entidades paranaenses ligadas ao agronegócio surtiu efeito e, ontem pela manhã, o governo federal informou que estendeu até o início de maio de 2016 o prazo para inclusão das propriedades rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O anúncio foi divulgado pelos ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário). A data limite para preenchimento do CAR seria hoje.
O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, que deve ser feito através do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Siscar). A finalidade é integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente (APP), das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, áreas de Uso Restrito e consolidadas das propriedades e posses rurais do País, como estratégia principal do controle, monitoramento e combate ao desmatamento.
Os ministros aproveitaram para apresentar o número de adesão dos produtores brasileiros ao CAR até o momento, o que definitivamente comprovou que havia necessidade da prorrogação do prazo. No País, a área cadastrada foi de 51,3% dos 373 milhões de hectares, algo em torno de 191,5 milhões de hectares. O número de imóveis registrados foi de 1,37 milhão. A região Sul foi a área de menor adesão, com 13,7%. No Paraná, foram 102,6 mil imóveis, algo em torno de 3,4 milhões de hectares, do total de 15,3 milhões passíveis de cadastro, 22,3% do total. Santa Catarina fechou com 34,9% e o Rio Grande do Sul, com ínfimos 0,84%.
No que diz respeito a outras regiões, a Norte foi a que mais se dedicou aos cadastros, com 69,2% da área total. Na sequência estão o Centro-Oeste (54,2%), Sudeste (27,3%) e o Nordeste (15,38%). Em estados com latifúndios, como é o caso do Mato Grosso - com 99% do total cadastrado - a resposta ao CAR foi mais intensa em comparativo aos estados em que a economia de agricultura familiar predomina. Muitos produtores tiveram dificuldade de trabalhar com o SisCAR, sistema no qual o governo investiu R$ 140,5 milhões.
O presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina, Narciso Pissinati, disse que os produtores associados receberam a notícia com alívio. Para ele, o programa de envio dos dados era muito complexo e incompleto, o que dificultou bastante a adesão do pessoal. "O sindicato indicava quatro técnicos para realizar o envio para os produtores. Quem fez, foi por extrema necessidade, pois precisava vender ou dividir a terra. Foi uma boa notícia, de alívio, mas ainda considero um prazo pequeno em meio a tantas dúvidas que ainda temos", complementou.
Em nota, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, disse que a entidade pressionou o governo e o Ministério do Meio Ambiente de todas as formas para que o prazo fosse estendido. "A demora no anúncio (da prorrogação) criou um estresse desnecessário que, lamentavelmente, mesmo com a confirmação da prorrogação do CAR, ainda nos fará lidar com as consequências de um grande número de preenchimentos errados para o cumprimento do prazo, resultando em problemas na análise dessa documentação".
Meneguette ainda disse que a presidente Dilma Rousseff "passou a bola" para a ministra do Meio Ambiente, quando ela mesmo poderia ter dado o anúncio "e ficar de bem" com mais de cinco milhões de produtores rurais do País e cerca de 530 mil no Paraná". "Não apenas foi algo curioso, mas um gesto de falta de sensibilidade política de um governo tão carente de boas notícias".



