Desde o início do ano, a venda de veículos no País registrou queda de 5%. E desde que os números começaram a ficar negativos, entidades representativas do setor automotivo buscam estímulo do Governo Federal para reverter o quadro. Ontem, o secretário-executivo do ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli, recebeu o presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, e, na sequência, o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, para debater medidas que destravem a concessão de crédito para financiamentos. No entanto, nada foi anunciado.
Para Eduardo Meneghetti, diretor comercial da Marajó, concessionária Fiat em Londrina, o objetivo das montadoras é obter a liberação de mais crédito, já que o mercado automotivo brasileiro ainda tem muito a crescer. Ele destaca que em mercados maduros, como Europa e Estados Unidos, existe um veículo para cada duas pessoas, enquanto no Brasil existe um para cada sete. "Não é a toa que as montadoras fizeram tantos investimentos recentes no País", ressalta.
Meneghetti destaca que a crise financeira mundial de 2008 trouxe reflexos negativos para o setor - como o aumento da inadimplência – que já estão superados. De acordo com ele, hoje o tempo médio de financiamento de um veículo é de 36 meses e a taxa de inadimplência gira em torno de 2%. "Estamos brigando por um algo a mais", diz Meneghetti.
Waldir Rezende Filho, diretor comercial de uma das concessionárias Metronorte, autorizada Chevrolet em Londrina, diz que houve um endurecimento da concessão de crédito nos últimos meses, com exigência de valores mais altos de entrada, o que diminui o valor total financiado e, consequentemente, o risco dos bancos. "Os bancos das montadoras subsidiam as taxas, mas a aprovação e as condições são semelhantes em todas as instituições. Quando começa a restringir o crédito, você vai eliminando uma parcela de clientes potenciais", defende Rezende.

Bom momento
O gerente comercial de uma unidade da Tropical em Londrina, concessionária Ford, Fábio Sitta, não vê a inadimplência como um problema atual do setor e acredita que o momento de retração da economia nacional seja apropriado para a ampliação do acesso ao crédito. "É um bom momento porque vender mais significa fazer girar a economia", afirma.
Vilson Bassetto, diretor comercial de outra unidade da Metronorte na cidade, confirma que a aprovação de crédito ficou mais difícil nos últimos meses. "Em anos anteriores, você financiava 100% do veículo, mas, com a inadimplência, os bancos restringiram e, hoje, exige 20%, 30% de entrada", destaca. Para o diretor, "o que vier do Governo é bem-vindo".
Procurada pela reportagem, a Febraban não quis comentar o assunto. O Ministério da Fazenda afirma que a reunião de ontem foi mais uma oportunidade para discutir o tema, mas que não há definição até o momento. A Anfavea apenas confirmou a discussão do tema financiamento de veículos.

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