Apesar da existência de uma comissão formada por representantes do governo do Estado e das concessionárias para tentar diminuir as tarifas do pedágio no Paraná, pouca gente acredita nesta possibilidade. Os contratos do programa estadual foram assinados em 1997 e só vencem em 2022.
Embora tenha tarifas altíssimas como a da BR-277, na descida para o litoral, no valor de R$ 14,60, o pedágio paranaense não é o mais caro do País como se costuma dizer. Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul têm tarifas mais caras por quilômetro. Elas são respectivamente de R$ 0,141, R$ 0,119 e R$ 0,111. A do Paraná é de R$ 0,097.
Mas quando comparadas com as da segunda etapa do programa federal que passam pelo Estado, tornam-se caríssimas. A da Régis Bittencourt, entre São Paulo e Curitiba, é de R$ 0,22, e a da BR-101, entre Curitiba e Florianópolis, de R$ 0,20.
''É uma luta inglória. Os pedágios no Paraná só serão mais baratos após o fim dos atuais contratos, em 2022'', afirma Nilson Hanke de Camargo, economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Para ele, apesar de estarem garantidas pelos contratos, falta transparência por parte das concessionárias. ''O que nós queremos é que elas abram as contas, os balanços. O governo (do Estado) não se esforça para fazer com que isso aconteça'', critica.
Ele também acredita que, na época da discussão dos contratos, o tráfego foi subestimado. ''Era muito maior e não justificava uma tarifa tão alta'', alega.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú, também se diz pessimista quanto à possibilidade de ver as tarifas baixarem antes de 2022. Ele reclama pelo fato de a entidade não participar da comissão que discute o assunto com as concessionárias. E critica aquilo que, na opinião dele, deverá ser a proposta definida no grupo. ''A sinalização é de que as concessionárias aceitam baixar um pouco as tarifas desde que os contratos sejam prorrogados por mais dez anos'', afirma.
Para Cantú, é preferível esperar até 2022 para abrir novo processo de concessão e ter tarifas compatíveis. ''Acho que as cobradas nas últimas concessões federais são razoáveis'', declara.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) inicia na próxima terça-feira uma pesquisa para avaliar, entre outros pontos, o impacto da tarifa do pedágio sobre o custo de produção. A pesquisa vai apurar também a opinião do industrial sobre a qualidade das rodovias pedagiadas e dos serviços prestados e sobre os contratos e modelo de concessão. Serão entrevistados industriais de todos os setores e de todas as regiões do Paraná. O objetivo é levantar informações consistentes para pautar futuras ações. O resultado da pesquisa deve ser divulgado no final de fevereiro.
A pesquisa será aplicada por meio dos sindicatos industriais filiados à Fiep. A Federação das Indústrias é uma das representantes dos usuários na comissão tripartite criada pelo governo para acompanhar e avaliar as questões relativas ao pedágio. A comissão é formada por representes do governo, das concessionárias e dos usuários.
Três grandes pontos serão abordados na pesquisa: questões técnicas e de qualidade (condições das rodovias e atendimento aos usuários), questões financeiras e de custo (o impacto da tarifa sobre o negócio e a relação custo-benefício) e visão de futuro (modelo de concessão e contratos). (N.B.)

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