Entidades minimizam impacto da desaceleração chinesa
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Não é de hoje que a desaceleração da economia chinesa preocupa o mundo. No primeiro trimestre deste ano, o gigante asiático cresceu 7%, contra 7,4% no mesmo período do ano passado. Os mercados esperavam ontem que Pequim anunciasse alguma medida de estímulo. Como nada foi divulgado, as bolsas asiáticas despencaram, arrastando as demais pelo mundo afora.
Xangai liderou as perdas. O índice composto da Bolsa caiu 8,49%, a 3.209,91 pontos, depois de perder 9% durante a sessão, que recebeu o apelido de "Segunda-feira Negra". A Bolsa de Shenzhen, a segunda maior do país, registrou queda de 7,70%, a 1.882,46 pontos.
A China é o principal parceiro econômico do Brasil e do Paraná. No período de janeiro a julho deste ano, as exportações brasileiras para o país asiático caíram 15,4%, de US$ 133,5 bilhões para US$ 112,8 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. No Paraná, a queda é de 17,4%, de US$ 2,7 bilhões para US$ 2,2 bilhões.
Apesar disso, o gerente técnico e econômico do Sistema Ocepar, Flávio Turra, ressalta que há estabilidade no volume de grãos comprados pelos chineses. Segundo ele, de janeiro a julho de 2015, a China importou 13,8 milhões de toneladas de soja paranaense, pouco mais que no mesmo período do ano passado, quando foram 13,4 milhões de toneladas. "A questão é que o preço caiu muito", declara. Ele ressalta que, para o agronegócio paranaense, o cenário ainda não é preocupante. "Se continuar neste nível (a economia chinesa) não tem por que se preocupar", afirma.
Depois da soja, o frango é o produto que o Paraná mais exporta para a China. Neste ano, de janeiro a julho, o país da Ásia comprou 70,2 mil toneladas da proteína, ou 11,4% do total exportado. Sem considerar Hong Kong, os chineses são o quarto maior comprador. Antes vêm Arábia Saudita (28%), África do Sul (11,9%) e Emirados Árabes (11,4%). Com Hong Kong, a China passa a segunda posição, levando 21% do frango paranaense. "Não vai haver diminuição de consumo na China. Pelo contrário: a quantidade que vai para lá ainda é pequena. Imagina se todos os chineses forem comprar um quilo de frango ao ano. São 1,3 bilhão de pessoas", afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingo Martins.
O diretor da Câmara de Comércio Brasil-China, Kevin Tang, é outro que procura demonstrar otimismo. Ele afirma que a China não deve fugir do ritmo de crescimento de 7% estabelecido como meta pelo governo. "É normal que qualquer instabilidade na China, que é vista como a locomotiva do mundo, gere pânico em bolsas. Mas na economia real não há muito efeito prático", alega.
Tang ressalta que o país não vai diminuir a compra de produtos brasileiros, principalmente no que se refere a grãos. "A população não vai deixar de comer", declara.
O diretor diz que a desaceleração da economia é "intencional" para tornar o crescimento do país asiático mais sustentável. E que a China faz o caminho inverso daquele que o Brasil precisa seguir. "É um momento de transição entre uma economia baseada em investimento para uma economia mais voltada ao consumo", explica.
Já o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, declara que é "muito otimismo achar que a desaceleração chinesa não trará grande impacto" ao Brasil e ao Paraná. Ele diz que qualquer desaceleração do gigante asiático acarreta redução de demanda por commodities, o que derruba os preços desses produtos e prejudica toda a economia global. "É claro que, em se tratando de commodities agrícolas, o impacto não é tão expressivo como nas minerais, mas sempre há impacto", destaca.
Devido à queda nos preços internacionais, a exportação de minérios do Brasil para a China despencou de US$ 7,7 bilhões para US$ 3,6 bilhões queda de 53%. (Com Agência Estado)


