Boa parte do grande expediente na Câmara de Vereadores de Londrina, ontem à tarde, foi tomado pelo desabafo e o pedido de ajuda de atacadistas e produtores ligados à Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa) na cidade. Revoltados com o que chamam de intervenção e ''arbitrária falta de diálogo'', eles buscaram nos vereadores apoio contra medidas tomadas no último dia 31 de agosto pela diretora-presidente da Ceasa/PR, Jane Setenareski.
Segundo eles, a diretora afastou a gerência da unidade de Londrina e teria ainda proibido o compartilhamento da sala de reuniões entre as respectivas associações e a Central. Até então, produtores, atacadistas e governo do Estado dividiam a administração do órgão, na parceria vigente desde 1997.
Irritado com as modificações, o presidente da Associação dos Atacadistas (Arucel), Clóvis Tsusaki, destacou que a entidade está em débito de R$ 202 mil dos repasses mensais que precisaria fazer à Ceasa (para pagamento de despesas com pessoal) juntamente com a Associação dos Produtores da Região Norte (Apronor). Mesmo assim, ele ressalva: ''Não é esse o foco da discussão, tanto que já propusemos parcelamento da dívida em 60 meses e até agora nada nos foi respondido'', disse.
Presente também à Câmara, o próprio diretor agrocomercial da Ceasa/PR, Paulo Ricardo da Nova, fez questão de se mostrar insatisfeito contra supostas ''decisões unilateriais'' da diretora-presidente. ''Não sei por que o gerente daqui foi afastado, mas sei que a postura dela complica muita coisa'', desabafou.
Ao final da visita, o vereador Osvaldo Bergamin (PMDB) agendou para amanhã, às 13 horas, uma reunião entre atacadistas, produtores e o secretário estadual de Agricultura, Orlando Pessuti, a quem o Ceasa/PR é subordinado.
A Folha tentou contato com a diretoria da Central em Curitiba, mas nenhum diretor foi localizado. Contudo, em ofício endereçado ao presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), no último dia 31, a diretoria da Ceasa/PR afirma que ''todas as medidas administrativas da Ceasa Paraná são normais e habituais junto à Administração Pública'', e que, como tal, têm responsabilidades conhecidas e verificadas pelo Tribunal de Contas (TC) do Estado. O documento não é assinado nominalmente, e sim por ''Diretoria da Ceasa Paraná''.

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