Entidades divergem sobre reajuste do mínimo
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terça-feira, 31 de março de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A proposta de reajuste de 14,9% do salário mínimo regional, que tramita na Assembleia Legislativa, gera opiniões divergentes entre entidades. De um lado, há quem defenda que o aumento vai trazer mais demissões e informalidade e, de outro, pode forçar os empresários a concederem aumentos maiores para as categorias que não são atingidas pelo reajuste e possuem piso salarial. A estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que há um potencial de o reajuste beneficiar cerca de 458 mil trabalhadores no Paraná.
O coordenador do curso de Economia do Centro Universitário (FAE), Gilmar Mendes Lourenço, destacou que, em anos anteriores, a economia estava aquecida e os empresários não tinham maiores preocupações. Antes da crise, o reajuste era repassado para os preços ou as empresas abriam mão de uma parte da margem de lucro. O cenário mudou e é de cautela, disse. Ele disse que o aumento do mínimo vai aumentar custos para as empresas.
A parte positiva é que os trabalhadores não organizados, que são beneficiados pela medida, preservam um grau de aquecimento do consumo dos bens essenciais como alimentos, roupas, bebidas e remédios.
Ele lembrou ainda que, boa parte dos trabalhadores que ganham o mínimo regional são as domésticas que são empregadas da classe média, camada da população que vem sendo muito atingida pela crise. Ele acredita que muitas famílias demitam as empregadas domésticas para contratar diaristas e também prevê o aumento da informalidade no setor.
Em condições de mercado recessivo, o aumento do mínimo causa mais efeitos negativos, disse. Com a redução da margem de lucro que deve ser provocada pelo reajuste, as empresas podem diminuir investimentos.
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) não é contra o reajuste, mas não aprova o percentual aplicado. O coordenador do Conselho Temático de Relações do Trabalho da Fiep, Amilton Stival, lembrou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período foi de 6,25%. Ele disse que a entidade questiona a diferença entre a inflação e o reajuste de 14,9% em função da crise financeira. A carga fica muito alta para a indústria e pode trazer reflexos para a negociação com as categorias organizadas, afirmou.
Ele também acredita em aumento da informalidade e diminuição da competitividade em relação ao Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, estados que possuem mínimo regional menor. Há um grande risco de aumentar o desemprego, disse.
O reajuste atinge as categorias inorganizadas, sem sindicato e que não possuem piso determinado por convenção coletiva de trabalho. O economista do Dieese, Sandro Silva, acredita que o aumento é positivo porque força os empresários a darem aumentos maiores para as categorias organizadas e que possuem piso. Para ele, o lado negativo é o aumento das demissões e da informalidade dos trabalhadores domésticos. A média salarial do Paraná em dezembro de 2007 era de R$ 1.103,19, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. (Leia mais na pág. 5 em Política).


