Imagem ilustrativa da imagem Entidades divergem em previsão de vendas para o Dia dos Pais



O Dia dos Pais deve ser melhor no Paraná do que no ano passado, mas será pior em âmbito nacional. É o que sugerem dois estudos divulgados ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Paraná (Fecomércio-PR) e pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Enquanto a sondagem regional identificou um crescimento no número de paranaenses que pretendem presentear no segundo domingo do mês, as vendas no Brasil devem cair 9,8% em relação à mesma data do ano passado.
Em entrevista com 320 consumidores da Região Metropolitana de Curitiba nos dias 15 a 27 de julho, a Fecomércio identificou que 68% dos entrevistados pretendem presentear no Dia dos Pais. No ano passado, quando o atual cenário econômico estava consolidado, a mesma pesquisa identificou que 61% tinham a mesma expectativa. Apesar da leve recuperação em 2016, ainda não se compara com os 72% de entrevistados com planos de presentear os pais registrados em 2014.
Ainda de acordo com a Fecomércio, mais da metade pretende gastar até R$ 100, focando principalmente em calçados, vestuário e acessórios – o ticket médio sondado é de R$ 109,75, contra R$ 104,50 registrado em 2015. A ideia principal é comprar a vista (47%), enquanto 38% pretende parcelar no cartão e outros 19% devem pagar com cartão de crédito, sem parcelamento.
Segundo a coordenadora da pesquisa, Priscila Takata, o resultado reflete a pesquisa de opinião dos comerciantes, que se declararam mais confiantes com um segundo semestre de melhor desempenho. Isso ocorre devido às mudanças no governo federal, que deu confiança para os empresários voltarem a investir.
Além disso, "as vendas no segundo semestre são historicamente melhores que no primeiro trimestre, por concentrarem mais datas comemorativas", ressalta Priscila.
Para o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, o represamento de gastos dos últimos meses deve garantir um Dia dos Pais melhor este ano, já que há uma alta na confiança dos empresários e um menor receio de perder o emprego por parte dos consumidores.

OUTRA VISÃO
A pesquisa da CNC, com base em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), identifica outro cenário para o País: seguindo a métrica do ano passado, o Dia dos Pais deve registrar queda de 9,4% nas vendas, maior ainda que no mesmo período de 2015, quando as vendas caíram 2,1%. Confirmada a previsão, será a mesma queda registrada nas outras datas comemorativas do comércio desde o ano passado.
Ainda assim, o Dia dos Pais deve movimentar R$ 4,2 bilhões, o que corresponde a 5,6% do faturamento esperado para o mês de agosto.
O economista da CNC, Fábio Bentes, diz que não tem como fugir de um resultado negativo neste Dia dos Pais, já que todas as Unidades da Federação registraram quedas nas vendas nos últimos 12 meses. "Em 2016, tem sido até pior que o ano passado em vendas, então, não tem como no dia dos pais ser diferente", argumenta. Para ele, o índice de confiança dos empresários tem melhorado desde abril, mas ele enxerga mais como uma "melhora na esperança".
Para o economista, está por trás desse cenário desfavorável o crédito muito caro – a taxa de juros ao consumidor bateu nove recordes, recorda Bentes – e inflação muito elevada. "Tudo isso não anima os filhos a colocarem a mão no bolso."
Devido às taxas de juros, os segmentos mais dependentes de crédito devem ter queda. Com isso, móveis e eletrodomésticos (-22,8%) e informática e comunicação (-13,0%), deverão se destacar negativamente.
Pela CNC, devem se destacar os segmentos de super e hipermercados, com comidas e bebidas, que têm um ticket médio menor. Em seguida vem vestuário, calçados e acessórios.

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