Com a proximidade das eleições municipais, entidades empresariais paranaenses abriram ontem debate para mostrar que a corrupção está ligada ao peso dos impostos, que atrasa o desenvolvimento do País. O coordenador executivo do movimento A Sombra do Imposto, Dorgival Lima Pereira, discutiu na noite de ontem o tema ''Corrupção e seus efeitos sobre a carga tributária'', em palestra no auditório do Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em Londrina. A ação vai até o dia 22, em busca de participação popular para cobrar uma reforma federal.
O debate envolve a Fiep, em parceria com 40 entidades, e faz parte do Feirão do Imposto, capitaneado pela Confederação Nacional do Jovem Empreendedor. Em Londrina, a Junior Chamber International (JCI, ou Câmara Internacional Júnior, em tradução livre do inglês) coordena a campanha, que distribuirá cartilhas com informações e recolherá assinaturas para o Movimento Brasil Eficiente, em frente ao Centro Cultural Laércio Luppi, na Avenida Saul Elkind, das 9h às 18h de sábado. O mesmo tipo de ação ocorrerá em 300 cidades brasileiras.
O coordenador da Sombra do Imposto diz que a escolha da corrupção como mote é adequada ao ano eleitoral. Isso porque a arrecadação do governo não tem sido revertida em serviços melhores à população. ''Os níveis de corrupção no Brasil estão alarmantes, o que gera maior carga tributária. E a maior carga tributária gera mais corrupção'', diz Pereira.
Das fases anteriores da campanha, a primeira mostrou a porcentagem das taxas sobre custos de produtos e a segunda, como cada imposto é aplicado. Após a discussão sobre corrupção, a quarta etapa será lançada em 25 de maio de 2013, no Dia Nacional do Respeito ao Contribuinte. Na ocasião, será apresentada uma proposta parananese para uma reestruturação tributária. Um dos itens será unificar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos estados da Região Sul e pedir tarifas adequadas no resto do Brasil.
Resultados
Pereira diz que a mobilização popular dá resultado, como quando a União estudava criar a Contribuição Social para a Saúde (CSS). ''Pelas pressões de movimentos, a presidente Dilma (Rousseff) recuou'', conta.
Outro exemplo foi a abertura de discussão no Senado sobre o Código Nacional de Defesa do Contribuinte, resultado de uma das fases da campanha. Pereira conta que um pré-projeto foi entregue em Brasília para cobrar, entre outras coisas, informações claras sobre impostos pagos e a aplicação dos recursos.
Para dia 22
Além da ação neste sábado, a JCI organizará outra para recolher assinaturas para o Movimento Brasil Eficiente. Será das 9h às 12h do dia 22, no Calçadão, ao lado da Praça das Bandeiras, no Centro. A coordenadora do Feirão do Imposto 2012, Yuri Shirado, diz que serão mostrados exemplos de custos de produtos com e sem impostos, com distribuição de mil cartilhas.
Yuri lembra que a JCI é apolítica, mas que a ação visa fazer com que a população cobre representantes sobre a corrupção. ''As pessoas não têm visão negativa sobre pagar imposto, mas sobre a destinação dos recursos.''

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