Curitiba - Entidades sociais brasileiras tentarão pressionar o governo federal a não utilizar sistemas internacionais para implementação da TV digital no Brasil. Um abaixo-assinado está recolhendo assinaturas de pessoas favoráveis ao desenvolvimento de tecnologia própria que propiciaria a inversão atual da balança comercial brasileira na cadeia eletrônica, hoje deficitária em US$ 6 bilhões por ano.
''O uso de tecnologia multinacional vai piorar nossa balança comercial e vai prejudicar o consumidor brasileiro. Temos que abrir espaço para a sociedade brasileira através da TV digital, mas com tecnologia própria'', defendeu ontem o pesquisador Takashi Tome, da Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital. O assunto foi debatido ontem, em audiência pública, na Assembléia Legislativa do Paraná.
Atualmente, a tecnologia analógica oferece pouco espaço para canais abertos, que consomem cada 6 megahertz (MHz) para transmitir programações. A tecnologia digital ofereceria 63 canais abertos para o público brasileiro. Outras vantagens citadas por Tome demonstram que a digitalização permitiria sistema de multicâmera (diferentes imagens sendo transmitidas ao mesmo tempo, usando câmeras em pontos diferentes); multiprogramação (permite que a mesma emissora possa ter programas independentes dentro do mesmo canal); transmissão de dados (usuário poderá utilizar a televisão com sistema de banda larga, podendo navegar no sistema buscando informações pertinentes e que o interesse); envio de mensagens (usuário poderá receber mensagens programadas de extratos de INSS, boletins de cooperativas); canal de retorno (terá acesso a e-mails como se fosse uma Internet via televisão); possibilidade de ter programação específica (regional ou sobre um determinado tema que interesse).
O Ministério das Comunicações já sinalizou com a vontade de utilizar tecnologia multinacional. Hoje os sistemas desenvolvidos no mundo são: o sistema americano ATSC (Advanced Television Systems Committee), o sistema europeu DVB-T (Digital Video Broadcasting - Terrestrial) e o sistema japonês ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting - Terrestrial).
''Precisamos abrir o debate no Paraná sobre a importância de o padrão brasileiro de TV digital considerar nossas características, como nosso perfil de renda, e as nossas exigências de um modelo que possa ser aplicado para promover a educação, a cultura e o pleno exercício da cidadania'', afirmou o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), idealizador da audiência pública.

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