Após o segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25) e que garantiu o quarto mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entidades de classe do Paraná cobram do petista um governo pautado em ações pragmáticas e no diálogo com o setor produtivo. Em nota, as instituições apontaram prioridades, como o socorro ao agronegócio paranaense, a responsabilidade fiscal e a redução das incertezas na transição da Reforma Tributária.

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O presidente do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette disse esperar que Lula olhe “com cuidado” para o setor do agronegócio. “Temos várias pautas importantes que estão travadas e precisam de um olhar criterioso. Dentre elas, um Plano Safra mais eficaz, seguro rural que atenda os produtores, e a renegociação dos produtores brasileiros.”

Meneguette salientou o alto nível de endividamento dos produtores rurais e aponta um conjunto de fatores que contribuíram para esse cenário, como as questões climáticas, a alta de custos e o problema energético. “Esperamos que o presidente eleito tenha a consciência da importância desse setor para toda a economia paranaense e nacional”, disse o presidente, que aproveitou para se colocar à disposição nas discussões sobre as principais pautas defendidas pelo setor do agronegócio.

O Sistema Faep elaborou um caderno com propostas consideradas prioritárias pelo setor e entregou o documento para o futuro presidente como forma de colaborar na construção de um plano de governo. O material de 24 páginas contempla, na parte técnica, 15 pontos nas áreas de política agrícola, insumos e energia, gestões ambiental, territorial e de segurança, exportação, sanidade, educação e pesquisa.

No ambiente jurídico, as reivindicações foram organizadas em sete áreas do direito: ambiental, agrário e fundiário, trabalho, regulatório e infraestrutura, institucional e acesso à Justiça, civil e tributário. “Ainda que não totalize a lista de soluções fundamentais e necessárias para o setor, o Sistema Faep e os sindicatos rurais entendem que esse documento é um ponto de partida, capaz de dar novo fôlego à produção agropecuária paranaense e nacional”, ressaltou o presidente.

Ainda que o caderno não totalize a lista de soluções, frisou Meneguette, algumas propostas, quando saírem do papel, terão ação imediata para o incremento dos resultados no meio rural. “Outras vão exigir mais esforço de estruturação e planejamento, por meio de ações estratégicas de longo prazo, como políticas de Estado” para fortalecer e dar mais competitividade ao agronegócio.

A Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) também se manifestou sobre o resultado das urnas. A presidente, Vera Lúcia Antunes enfatizou, por meio de nota encaminhada pela assessoria de comunicação, disse esperar transformações reais para o país, especialmente para a economia, atendendo às demandas do setor produtivo. “Promessas de austeridade fiscal e responsabilidade com o uso do dinheiro público precisam ser cumpridas à risca para equilibrar as contas federais.”

Antunes apontou também a necessidade de redução “drástica” da dívida pública sem deixar de zelar pelas micro e pequenas empresas, mais sensíveis ao aumento dos gastos de produção exigidos para a implantação da escala 5x2. “Outro desafio é a inadimplência, que precisa ser combatida com seriedade. A inflação exige um controle mais rigoroso para que a taxa básica de juros caia, facilitando o acesso ao crédito”, disse a presidente da Acil.

Ela também cobrou maior atenção ao empresariado, especialmente durante a transição da Reforma Tributária, objeto ainda de muitas dúvidas entre a categoria, e pediu coalizão. “Esperamos que o novo mandato seja realmente de coalizão, ouvindo e agregando os diferentes pontos de vista em um governo voltado para todos os brasileiros, independente do posicionamento político ou ideológico.”

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