Entidades culpam administração
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sábado, 27 de março de 2004
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba- Maior corredor de exportação de grãos do País, o Porto de Paranaguá passou por outra crise na última semana. Operadores portuários, trabalhadores e políticos da cidade, unidos, pediram a cabeça de Eduardo Requião, superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e irmão do governador Roberto Requião.
A principal acusação foi a que Eduardo Requião recusava-se a dialogar - e ele é psicanalista. Os manifestantes não conversaram com Eduardo. Apresentaram as reivindicações ao governador e voltaram ao trabalho. A administração prefere ligar o movimento ao interesse em liberar a exportação da soja transgênica, cujo embarque continua proibido, apesar de o Supremo Tribunal Federal ter derrubado a lei paranaense sobre o assunto. ''Nossa posição é em defesa da qualidade dos produtos no porto'', afirma o superintendente.
As acusações contra a administração e as condições logísticas do porto foram tantas que a Assembléia Legislativa instala amanhã a CPI do Porto. O superintendente se diz tranquilo. ''Estamos aqui há um ano e dois meses e o porto sofreu grande reforma administrativa.''
Mas os exportadores reclamam de prejuízos, que, segundo a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), podem chegar a R$ 1,6 bilhão.
O assessor da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, afirma que a Appa baixou ordem de serviço, permitindo a descida de caminhões carregados apenas quando o produto estiver vendido e o navio ao largo. ''Para um navio que vai carregar 50 mil toneladas, são necessários 1.850 caminhões. Como providenciar e despachar quando o navio chegar?'' Essa norma, afirma, foi baixada sem que fosse ouvido o Conselho de Autoridade Portuária, conforme estabelece a Lei dos Portos.
O estudo feito pelas duas entidades apresenta também a falta de dragagem como um problema que aumenta os custos do frete marítimo - a Appa teria repactuado contrato com a empresa Bandeirantes e não teria pago. ''Está praticamente há um ano sem dragagem'', diz Albuquerque. ''Há casos em que o navio está sendo carregado e, na maré baixa, é obrigado a parar porque o casco bate no fundo.''


