Entidades criticam taxas de juros do Plano Safra 2015/16
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terça-feira, 02 de junho de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Ciente da importância do agronegócio neste cenário econômico letárgico, a presidente Dilma Rousseff e a ministra da Agricultura (Mapa), Kátia Abreu, anunciaram ontem, em Brasília, o Plano Agrícola e Pecuário 2015/16, com aumento no volume de recursos em 20% e atingindo a marca de R$ 187,7 bilhões. Se o valor aumentou consideravelmente, os juros controlados também: a taxa média subiu de 6,5% para 8,5%. "Para cada real investido na agropecuária o setor gera R$ 3 em valor adicionado", disse a ministra, durante o lançamento.
Para o financiamento de custeio a juros controlados, estão programados R$ 94,5 bilhões, 7,5% a mais em comparação com a safra passada. Já para investimentos, são R$ 33,3 bilhões. O agricultor poderá contar também com maior volume de recursos a taxas de juros livres de mercado. Na modalidade custeio, o salto foi de R$ 23 bilhões para R$ 53 bilhões. Estes valores são provenientes da aplicação dos recursos da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) no financiamento da safra. O Pronamp (Programa de Apoio ao Médio Produtor) receberá atenção especial nesta temporada e contará com R$ 18,9 bilhões, um incremento de 17% no volume de recursos. São R$ 13,6 bilhões para a modalidade de custeio e R$ 5,3 bilhões em investimento.
A linha do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) contará com R$ 10 bilhões em recursos, com taxas de juros oscilando entre 7,5% e 9,5% anuais. Apesar do aumento de volume de recursos, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) ficaram reticentes com o anúncio, ressaltando mais os pontos negativos do Plano Safra.
Para o economista da Faep, Pedro Loyola, a maior preocupação da entidade é se de fato os produtores terão acesso aos recursos com juros controlados ou se necessitarão financiar uma parte maior da safra com os juros livres de mercado, que podem chegar a 21%. "Os pequenos e médios produtores do Paraná trabalham com recursos de custeio, com margens apertadas, e nossa preocupação é se eles terão que acessar um mix de recursos que vão incluir os juros livres, incompatíveis com a atividade", explica Loyola. Ainda de acordo com a entidade, os produtores desembolsarão R$ 1,8 bilhão em pagamento extra de juros em relação à safra passada, considerando apenas as taxas controladas.
O gerente técnico econômico da Ocepar, Flávio Turra, disse à FOLHA que no contexto geral, "o plano ficou abaixo do esperado". No que diz respeito aos pontos positivos, Turra salientou a importância do aumento do volume de recursos em 20% e também o apoio aos médios produtores. "As taxas de juros diferenciadas (7,75%) são importantes e valorizam os médios agricultores em relação à agricultura comercial. Outro ponto positivo foi o aumento de recursos do Prodecoop (Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária) e Procap-Agro (Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias). Ficamos satisfeitos que ambos foram mantidos". Outro fator valorizado pela Ocepar foi a criação do Grupo de Alto Nível da Lei Plurianual da Produção Agrícola Brasileira (LPAB), que visa estabelecer um planejamento estratégico agropecuário para o produtor brasileiro, dando previsibilidade ao mercado.
Turra salientou, entretanto, que os aspectos negativos acabaram chamando mais a atenção. Ele disse que a Ocepar havia solicitado ao Mapa que as taxas de juros fossem mantidas em relação ao Plano Safra do ano passado, mesmo sabendo que era complexo devido à situação econômica do País. O problema, segundo ele, é que as taxas acabaram subindo em média 35%, bem acima do que a entidade esperava. "O que mais nos preocupa são os recursos voltados para investimentos, que chegam a 8,75%. Se a economia se estabilizar a médio longo prazo, o produtor vai continuar pagando muito caro por esse tipo de recurso", complementa Turra.


