Entidades criticam situação do Porto de Paranaguá
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) enviou ao Porto de Paranaguá uma Comissão de Fiscalização, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, para fazer um levantamento da situação do porto levando em conta denúncias dos operadores portuários. Outra comissão de fiscalização, da Assembléia Legislativa do Paraná, está apurando denúncias, também feitas por operadores portuários de que vários navios já bateram com o casco no fundo do mar devido ao assoreamento do canal por falta de dragagem.
Esta semana o embarque de farelo de soja no navio ''Samos Sky'' foi interrompido por causa de um rato que foi para o navio junto com a carga, disse o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo. ''Essas paradas atrasam ainda mais o embarque de mercadorias. Caso uma carga chegue ao destino com um rato no meio, ela é devolvida'', justificou.
Para a Capitania dos Portos, o mais grave é o fato de os navios saírem com cargas abaixo da capacidade. Segundo o comandante Osmar Pedro da Cunha, os comandantes de navios temem um acidente em função da redução do calado. Quanto mais carga, mais os navios afundam. Por isso, eles não aceitam o volume de cargas previsto pelos operadores portuários. Cunha lembrou que ocorrências como essas foram denunciadas na Comissão de Fiscalização da Assembléia.
Cunha confirmou que vem pedindo à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) que faça a batimetria do porto desde o ano passado. Batimetria é o mapeamento da profundidade do Canal da Galheta, por onde passam os navios, para que eles tenham noção da área e evitem acidentes.
Por conta de todas essas dificuldades, o período de permanência dos navios passou para 25 dias, o que é muito alto na avaliação de Cunha. Além disso, a demourage, taxa paga aos armadores pelos dias parados, que era de US$ 10 mil passou para R$ 40 mil em Paranaguá.
Na avaliação de operadores, a deterioração do porto está se agravando com a falta de combate às zooneses e também de dragagem. Esses serviços foram suspensos no ano passado por irregularidades contratuais e ainda não foram repostos. Com isso, a velocidade operacional dos embarques foi afetada e os embarques foram reduzidos em aproximadamente 30 mil toneladas diárias.
As trocas de turnos dos trabalhadores da amarração dos navios também são, segundo eles, motivo de atraso nas operações. As horas extras foram canceladas e as trocas de turnos são demoradas obrigando as operações de embarque e desembarque serem suspensas.
Por todos esses motivos, as cargas embarcadas no porto paranaense estão valendo menos que nos portos de Santos (SP) e Rio Grande (RS). No caso da soja, o deságio é de US$ 1 por bushel (medida) abaixo da cotação da soja norte-americana. ''É uma ironia, a soja convencional do Paraná vale menos do que a soja transgênica do Rio Grande do Sul'', comparou Camargo, da Faep.


