Entidades criticam reajustes no pedágio
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Entidades empresariais não gostaram da notícia de que o governo do Estado autorizou dois aumentos na tarifa do pedágio, além da inflação, para a Concessionária Econorte. Os "degraus", de 4,51% em dezembro deste ano e 4,51% em dezembro de 2015, são para três praças: duas na BR-369 (em Jacarezinho e Jataizinho) e uma na PR-323 (em Sertaneja).
A alegação do governo é que o aumento é necessário para compensar R$ 59 milhões de investimentos feitos pela Econorte na duplicação de cinco quilômetros da PR-445, na construção de terceiras faixas na região de Cornélio Procópio, e na construção da passarela recentemente inaugurada em frente ao Parque de Exposição Ney Braga, em Londrina.
"Este é um assunto do qual já estou cansado de falar. O governo não trata essa questão de pedágio da forma transparente que ela merece. A gente não sabe quais obras serão feitas e quanto vão custar", afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú. Segundo ele, o governo nunca chamou o sindicato para discutir os contratos e não é surpresa o fato de só agora os reajustes assinados em maio do ano passado terem vindo à tona. "Não me surpreende mais a maneira como o governo trabalha", declara.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, o reajuste vai contribuir para o "Custo Brasil e o Custo Paraná". "Com certeza esse aumento vai repercutir no escoamento da produção e na economia como um todo. O Paraná já tem um dos pedágios mais caros do Brasil, quiçá do mundo, e não deveria ser concedido nenhum reajuste além da inflação", defende.
Balan diz que a entidade é a favor do pedágio, "mas com tarifas justas". "Nós já dissemos isso quando pedimos a duplicação da PR-445 (até Mauá da Serra). Queremos pagar um preço compatível com a obra", afirma. Para ele, o Paraná "paga o preço" da má gestão dos contratos assinados com as concessionárias no governo Jaime Lerner.
Por meio de nota, o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneghette, também criticou os reajustes. De acordo com ele, o governo do Estado anunciou que vem negociando com as concessionárias de rodovias uma redução de tarifas, o que implica aumento do prazo de concessão, com a construção das obras de duplicação e melhorias. "Com isso a Faep concorda", diz ele. Para o presidente, qualquer aumento "extemporâneo parece indicar que as negociações não têm sido bem sucedidas". "A Faep insiste na tese que não deve haver aumento algum nas tarifas de pedágio, mas uma negociação que as reduzam", diz a nota.
A tarifa cobrada pela Econorte na praça de Sertaneja é de R$ 12. E o impacto dos dois aumentos será de R$ 1,10. Na de Jataizinho, o valor é de R$ 14,20 e os reajustes representarão R$ 1,30. Já a tarifa de R$ 13,10 de Jacarezinho terá R$ 1,20 de impacto com os aumentos. Os valores também sofrerão reajustes correspondentes à inflação deste ano e do ano que vem. Leia mais sobre o assunto no primeiro caderno.


