Entidades começam a receber queixas
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Benê Bianchi<BR>Reportagem Local 
Londrina - Casos de mutuários cujos contratos sem cobertura do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) estão vencendo começam a chegar a entidades que os representam. Em Londrina, o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, Marcos de Almeida, relata o problema de um mutuário que preferiu não dar entrevista que assinou o financiamento junto à Caixa Econômica Federal em março de 1990, com prazo de 12 anos para pagamento. As mensalidades giravam em torno de R$ 390,00.
Ao final dos 144 meses e após ter pago R$ 56 mil em valores atualizados, por um imóvel de 109 metros quadrados, o mutuário foi informado que seu saldo devedor era de R$ 32 mil e que ele teria 72 meses para quitar a dívida. O valor das prestações passou de R$ 390,00 para R$ 742,72.
Almeida orienta os mutuários a não assinarem nenhum documento com o agente financiador e procurarem uma das unidades da entidade, para solicitar o laudo do financiamento elaborado por um perito. Comprovado que o imóvel está quitado, ingressamos na Justiça para pedir o cancelamento da dívida, informa o diretor da Associação Brasileira dos Mutuários, seção Paraná.
Segundo ele, a entidade está recebendo inúmeras reclamações em todo o País. Durante o mês de maio, a entidade fez plantões para orientar os mutuários com contratos sem cobertura do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) e foram atendidos mais de 4,5 mil pessoas. Os mutuários não foram devidamente informados pelo agente financiador, critica Almeida.
A Comissão Nacional dos Mutuários do Sistema Financeiro da Habitação também é contrária à renovação do contrato, por entender que o mutuário tem direito à anistia de 100% do saldo devedor. A comissão entregou um abaixo assinado ao senador Osmar Dias (PDT), no início do mês, com o objetivo de compor o anteprojeto de lei de anistia do saldo devedor dos contratos habitacionais firmados de janeiro de 1988 a dezembro de 1999.
O coordenador nacional da comissão, Adevanil Generoso, orienta os mutuários que forem chamados para renegociar o saldo devedor, a estarem acompanhados de advogado.


