Entidades cobram debate transparente sobre pedágio
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quinta-feira, 08 de outubro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
Líderes políticos e empresariais cobraram ontem maior transparência do governo do Estado sobre negociações com concessionárias de pedágio, depois do anúncio do Poder Executivo de que conseguiu a antecipação da duplicação do trecho da BR-369, entre Cornélio Procópio e Jataizinho, com a Econorte. Em troca, a concessionária não terá de fazer o contorno norte em Londrina, também previsto em contrato. A reclamação é que não foram ouvidas entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Prefeitura de Londrina e os deputados da região, em questão polêmica como a criação de um novo aditivo em contrato, quando os últimos pouco beneficiaram os motoristas.
Conforme anúncio na noite de quarta-feira, a Econorte duplicará os 32 quilômetros (km) de obra que deveria começar em 2021 e, em troca, o governador Beto Richa assumirá a responsabilidade pela construção do contorno que ligará a BR-369 à PR-445, em Londrina. A obra entre as cidades do Norte e Norte Pioneiro começaria no próximo semestre e, em Londrina, terminará até 2017.
Para o vice-presidente da Fiep, Edson José de Vasconcelos, a antecipação da duplicação é considerada saudável. "Porém, ao longo do tempo os governantes fizeram aditivos aos contratos que foram desastrosos, jogando as obras para o fim sem beneficiar o consumidor", diz. Vasconcelos elogia todo o movimento de entidades que buscou a antecipação da obra, em trecho com pedágio de preço alto, pista simples e muitos acidentes. "Mas temos de entender o ônus disso."
O deputado estadual Tercilio Turini (PPS) afirma que o governo não pode monopolizar o debate, que deve ser feito com a sociedade nas regiões afetadas. "Se tiver duplicação entre Cornélio e Jataizinho, ótimo, mas como fica o prejuízo que Londrina vai ter sem um contorno que a região aguarda há 18 anos? Será que só a palavra do governo de que fará basta?", reclama.
O parlamentar diz que, se houve discussão com entidades em Cornélio, faltou em Londrina. "Só ficou a responsabilidade de pagar esse pedágio, que é caríssimo", afirma. O prefeito Alexandre Kireeff havia confirmado um dia antes que sabia da negociação para a duplicação, mas não para que o governo assumisse o contorno em Londrina. Ele também disse que a obra prevista no contrato com a Econorte não atenderia o tráfego atual na cidade.
Por outro lado, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, aprova a duplicação e vai além. "Minha tese é que o governo do Estado precisa negociar já a repactuação de todos os contratos de concessão do Anel de Integração, para baixar o preço do pedágio e iniciar imediatamente as obras de duplicação", diz, ao lembrar que os contratos preveem obras em longo prazo.
O vice-presidente da Fiep contesta a tese. "O Estado já provou que não tem condições de reger as concessões com os contratos e aditivos que foram feitos. Temos a terceira geração de concessões da União que está com preços mais baixos e não se pode antecipar as renovações, com o risco de haver desequilíbrio para o consumidor."
Turini também criticou o fato de o governo do Estado estudar a criação de cinco lotes pelo Programa de Concessão do Estado do Paraná, um dos quais na região de Londrina. A licitação envolveria o trecho da PR-445 entre Londrina e Mauá da Serra, o da PR-170 entre Rolândia e Porecatu e o da PR-090 entre Bela Vista do Paraíso e Alvorada do Sul. "Hoje não temos uma rodovia toda duplicada até Curitiba e já querem colocar pedágio na PR-445", critica o deputado, que afirma que o estudo está em estágio avançado. Ele lembra que alguns trechos fazem parte das áreas urbanas e podem prejudicar produtores rurais e moradores.


