Atraídos pela demanda dos mercados consumidores da Europa, Japão e Coreia, e também pela bonificação concedida aos produtores, entidades buscam incentivar a produção de cultivares convencionais de soja. A Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) estima que 28% de toda a soja produzida no País seja não transgênica, o que equivale a uma produção de 20 milhões de toneladas do grão. Segundo o diretor executivo da Abrange, Ricardo Tatesuzi de Souza, no Paraná essa participação se aproxima dos 10% do total produzido.
Por meio do Programa Soja Livre, a Abrange promove o sistema convencional de produção e busca investimentos em pesquisa para atender a demanda dos agricultores por produtividade e variedades adaptadas a diversas regiões. ''A produção de soja convencional tem se mantido estável nos últimos anos. O Paraná está vivenciando uma volta dos não transgênicos. Infelizmente, o Estado levou a discussão para o campo político, mas estamos trazendo de volta para as áreas agronômica e econômica'', afirma.
Entre as vantagens do cultivo convencional, Souza destaca a alta produtividade. Segundo ele, cultivares da Embrapa já apresentaram produtividade de até 70 sacas por hectare no Mato Grosso, enquanto a média do estado é de 50 sc/ha. O diretor executivo afirma que os custos de produção convencional chegam a ser 1,3 saca menores em comparação ao cultivo transgênico. Em contrapartida, o percurso de escoamento da produção acarreta em investimentos em logística para toda a cadeia produtiva. Nesse sentido, o prêmio concedido aos sojicultores de variedades convencionais equilibra a relação comercial. A bonificação, em média, é de R$ 2 a R$ 3 por saca no País.
O diretor técnico da Abrange, Ivan Paghi, ressalta que a opção pela soja convencional é uma forma de agregar renda ao agricultor e à cadeia produtiva. ''A cada mil hectares, o produtor deixa de pagar R$ 22 mil com royalties. Se produzir 60 sacas por hectare, terá produzido 60 mil sacas. Com o prêmio de R$ 3 por saca, receberá de bonificação R$ 180 mil, valor que é somado aos R$ 22 mil de economia e resulta em mais de R$ 200 mil em agregação de valor'', calcula. Para auxiliar o produtor a adotar o cultivo convencional, a Abrange desenvolveu uma norma de produção que indica as medidas que precisam ser adotadas desde a limpeza da área antes do plantio até a armazenagem e transporte. Para adquirir a norma, os agricultores devem entrar em contato com a ABNT, pelo telefone (11) 3017-3600.
O presidente da Fundação Meridional, Luiz Meneghel Neto, produz sementes convencionais há oito anos e possui capacidade de fornecer até 150 mil sacas por ano. ''Com base na produção de sementes, podemos dizer que 15% do nosso mercado é de material convencional. Com o advento do prêmio, acreditamos que esse índice chegue a 25% em cinco anos'', avalia. Atualmente, a Embrapa disponibiliza sete cultivares de soja convencional para os produtores paranaenses.
O gerente comercial da Imcopa, Jean Carlos Zanona, revela que a empresa exporta 1,5 milhão de toneladas de soja convencional por ano. A indústria, estabelecida em Cambé e Araucária, utiliza apenas soja não transgênica para produção de derivados. A soja usada na indústria tem origem no Paraná e, sobretudo, no Mato Grosso, responsável por cerca de 1 milhão de toneladas por ano. ''O Brasil é o último reduto de soja convencional no mundo, mas a armazenagem é o principal desafio para esse tipo de produção'', avalia.
Os representantes da Abrange estavam presentes no Dia de Campo da Embrapa Soja, realizado ontem pela manhã em Londrina. Além de apresentar o Programa Soja Livre, também demonstraram cultivares convencionais com alto rendimento. Nas demais estações técnicas, pesquisadores orientaram produtores e profissionais da assistência técnica sobre manejo das plantas daninhas, reinoculação anual da soja e manejo integrado de pragas.

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