O valor real do Banestado é de cerca de R$ 900 milhões, segundo cálculos feitos por especialistas do mercado financeiro, e representa praticamente o dobro do preço mínimo fixado para o leilão de venda, em 17 de outubro. Entidades contrárias à privatização do banco pretendem entrar na próxima semana com ação judicial para questionar o preço mínimo, numa tentativa de evitar o leilão. Elas alegam que o valor de R$ 434 milhões fixado pelo governo (por todas as ações de propriedade do governo do Estado e dos minoritários) está muito aquém do que vale a instituição financeira.
O presidente da Associação dos Funcionários do Banestado, Valter Senhorinho, é um dos que consideram o valor subestimado. Ele calcula que o Banestado deveria ir a leilão por, no mínimo, R$ 900 milhões. Ex-vice-presidente do Banestado, Senhorinho diz ter certeza de que houve uma subavaliação e explica: ‘‘Deveria ter sido incluído no cálculo, por exemplo, o crédito tributário de R$ 1,6 bilhão que o banco tem a receber do governo federal’’. Outro item que deveria ter sido levado em conta, segundo ele, é a obrigação do Estado de manter suas contas no Banestado por pelo menos cinco anos.
‘‘Somente com a captação desse dinheiro, que dá mais ou menos R$ 200 milhões por mês, o banco ganhará R$ 15 milhões mensais ou cerca de R$ 180 mihões por ano’’.
O valor do banco é questionado também dentro do sistema financeiro. Um especialista em mercado financeiro disse que, para se chegar ao preço mínimo, os avaliadores teriam de ter calculado 10% dos débitos à vista (R$ 430 mihões), 5% dos depósitos a prazo (R$ 1,75 bilhão), 5% dos depósitos de poupança (R$ 1,43 milhão) e o patrimônio líquido (R$ 454 milhões). Fazendo este cálculo, o preço do Banestado seria de pelo menos R$ 650 milhões. ‘‘Esse valor não interessa ao Banco Fator, que receberá sobre o ágio de venda do Banestado’’, acusa o presidente da Associação dos Funcionários do Banestado.
Entre as entidades que pretendem questionar o preço mínimo na Justiça estão a Federação dos Bancários, o Sindicato dos Bancários e a Associação dos Funcionários do Banestado.
Há ainda outras fórmulas que podem indicar o preço final do banco. Para o ex-presidente do Banestado, Luiz Antonio Fayet, deve se avaliar ainda o fluxo de caixa projetado, considerando também a área geoeconômica, onde o banco atua. ‘‘O Banestado está numa região classe A, que está em pleno desenvolvimento’’, afirmou. Ele disse ainda que há ‘‘fortes indícios’’ de que o Banestado foi subavaliado. Fayet também citou os créditos tributários no valor de R$ 1,6 bilhão que pertencem ao Banestado.
Dois fatores que mais contribuem para valorizar um banco são os clientes e a carteira de crédito, avalia o diretor da Ordem dos Economistas de São Paulo e economista chefe da Associação Brasileira dos Bancos Comerciais, Roberto Luis Troster. ‘‘Para estabelecer o preço mínimo é preciso também fazer uma análise do valor patrimonial e do valor de mercado’’, afirma Troster.
A Secretaria da Fazenda, a diretoria do Banestado e os advisers (bancos Fator e CCF que fizeram a avaliação do Banestado) dizem que não se pode incluir os créditos tributários no cálculo do preço mínimo. Os responsáveis pela avaliação do Fator teriam dito que os créditos não tinham valor algum, pois só serviriam se o Banestado passasse a dar lucro. ‘‘Os créditos tributários serão pagos em 30 anos. Não é um dinheiro que está disponível’’, justificou o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes.

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