Entidade defende programa de regionalização
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Ricardo Gonçalves, voltou a defender o programa de regionalização sanitária, em vias de ser regulamentado pelo Ministério da Agricultura. Detalhes do programa devem ser anunciados em 15 dezembro, a fim de que possam ser instaurados a partir de 1º de janeiro. Em todo caso, Gonçalves afirma que o sistema só começará a operar realmente no meio de 2006, já que a instalação de novas regras exigirá tempo e treinamento de fiscais do governo.
O programa de regionalização - ou estadualização - visa impedir que o eventual aparecimento de foco de gripe aviária interdite a totalidade das exportações do Brasil. Atualmente o território nacional é considerado uma região apenas para a defesa sanitária federal. O mesmo vale para os organismos internacionais, como a Organização Internacional de Epizootias (OIE). A desvantagem de um sistema como esse é que a ocorrência de um problema sanitário em áreas periféricas de produção de frango é suficiente para fechar o mercado exportador. A proposta da indústria é de que cada Estado se torne uma unidade sanitária autônoma, com controles rígidos de circulação nas fronteiras.
A prioridade é iniciar o processo pelos três Estados do Sul, que respondem por cerca de 80% da produção de aves do Brasil. A região também concentra as atividades da avicultura industrial. ''Os três Estados trabalham pelo sistema de integração, com frangos isolados em granjas e controle rígido de água e ar'', explica Gonçalves. Além do Sul, a idéia encaminhada é de que a São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul também integrem essa primeira leva.
Segundo o presidente da Abef, a proposta é de que a circulação de material genético, como matrizes, avós e pintos de um dia seja permitida entre Estados, desde que os animais tenham certificação de saúde referente aos últimos sessenta dias. Já o trânsito de matrizes de descarte e de frangos para abate ficaria proibido. ''A redução da circulação é um trunfo para impedir a propagação de doenças'', explica o presidente da Abef. Segundo ele, a indústria está se adequando ao sistema. ''Muitas empresas do Sul não têm circuitos inteiramente estadualizados, mas estão trabalhando nisso'', observa.
Outro projeto que está sendo discutido pela indústria e governo é um plano de contingência para o caso do aparecimento de um foco de gripe aviária. ''Uma de nossas metas é criar um fundo privado de indenização para o caso do surgimento de focos'', explica o presidente da Abef. ''A idéia é dar um estímulo para que empresas avícolas pequenas notifiquem o aparecimento da doença sem temer prejuízos'', explica. O dinheiro para o fundo viria das próprias indústrias.





