Entidade critica ''desmando'' no porto
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Empresários e entidades ligadas ao comércio exterior do Paraná vão à Justiça para liberar a carga que vem se acumulando no Porto de Paranaguá há mais de 30 dias. O Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar) e o Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop) vão coordenar ações coletivas com a participação de todas as entidades que estão se sentindo prejudicadas com a operação-padrão deflagrada pelos auditores fiscais da Receita Federal (RF) em Paranaguá e outros locais do País.
Para o empresário Zulfiro Bózio, presidente do Cexpar, a situação em Paranaguá é de puro desmando e isso precisa ser denunciado às autoridades, afirmou. Segundo ele, o Cexpar fará um levantamento de todos os prejuízos que vêm sendo impostos às empresas que operam no Porto de Paranaguá, por causa da operação-padrão e também pela burocracia introduzida pela delegacia da Receita Federal em Paranaguá.
As ações coletivas não vão impedir que as empresas que estão em situações mais drámaticas ajuizem a ações individuais na Justiça. Além das ações judiciais, os empresários e entidades que operam na área portuária vão buscar apoio político em Brasília para denunciar o caos que se instalou no Porto de Paranaguá.
Pior que a operação-padrão são as regras introduzidas pela Receita Federal, disse o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque. Segundo ele, os produtores paranaenses também começam a ser penalizados porque o escoamento da soja e derivados está muito lento. Produtores e cooperativas vinham segurando a produção para vendê-la num momemto em que o câmbio tivesse uma cotação melhor, como está ocorrendo agora.
Segundo Albuquerque, com o câmbio a R$ 2,70 muitos produtores e cooperativas já deveriam estar exportando volumes maiores de soja e farelo, o que não está acontecendo. As entidades vão estudar medidas contra essa lentidão. Albuquerque critica o novo horário estabelecido para liberação de documentos por parte da Receita Federal, entre 9 horas e 17 horas. Além disso, a Receita também não trabalha nos finais de semana. É um absurdo as cargas ficarem paradas no porto por falta de fiscais da Receita, disse.


