O superávit primário - termo bastante usual em assuntos econômicos - pode ser traduzido pela divisão entre a arrecadação fiscal do governo federal e as suas despesas. Para conseguir um bom resultado, a equipe econômica tem que se esforçar para manter a receita superior aos seus gastos e isso vem sendo feito. No entanto, em julho o governo federal registrou o mais baixo superávit do ano. O motivo: em períodos eleitorais é bastante comum que os gastos do governo aumentem.
O economista Azenil Staviski explica que a arrecadação do governo vem da cobrança dos tributos diretos e indiretos. Esse segundo item é o mais rentável porque incide sobre toda a produção, circulação e consumo dos produtos e é pago por toda a população. Já os diretos afetam a renda e o patrimônio das pessoas (são impostos como o imposto de renda, CPMF e IOF por exemplo). No Brasil, um superávit primário alto sempre foi uma exigência do Fundo Monetário Internacional (FMI).
No entanto, como o País não renovou seus acordos com o fundo atingir ou não uma determinada meta deixou de ser uma obrigação. ''Mas temos um compromisso moral e se não fizermos isso teremos que arcar com outras consequências - como o aumento do risco-país (índice que mede a credibilidade do governo perante investidores internacionais) - e também colocaremos em risco a nossa capacidade de saldar dívidas futuras'', explica o economista.
Mas o esforço da equipe econômica em manter o superávit tira recursos que poderiam ser aplicados na infra-estrutura social e estratégica, como a construção e manutenção de rodovias, ferrovias e dos portos e ampliação da rede de energia elétrica, água e saneamento.
Dívida - Os dois elementos que compõem o superávit - arrecadação e gastos do governo - estão crescendo. Em 95, as despesas públicas estavam em um patamar de R$ 130.256 bilhões. No ano passado, esse valor chegou a R$ 504 bilhões (descontado a inflação). Comparando com 2004, as despesas cresceram 14,32%, enquanto a economia cresceu 2,3%. O superávit primário também é preciso para a rolagem da dívida pública (interna e externa), que tem um custo bastante alto.
Atualmente, a dívida interna líquida passa do R$ 1,1 trilhão e o superávit é destinado para pagamento de parte dos juros ou encargos dessa dívida. Na avaliação do economista, a saída a médio prazo para diminuir o volume da dívida seria a redução dos juros, caso a inflação se mantenha nos atuais índices (entre 4% e 5%). ''Mesmo se a taxa de juros chegar a 12% em 2007, os juros ainda serão altos com relação a inflação'', comenta.

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