Entenda as perdas em planos
Os planos econômicos, editados pelo governo para resolver os problemas de inflação alta, sempre trouxeram perdas para os aplicadores da poupança, que precisaram recorrer à Justiça para tentar garantir os seus direitos. Acompanhe o que ocorreu em duas situações:
O indexador da caderneta em março de 1990 era o IPC, do IBGE, que, naquele mês, ficou em 84, 32%. Esse porcentual, acrescido do juro mensal de 0,5%, daria um rendimento de 85,2416%, que seria creditado na data-base de todas as cadernetas em abril. Mas não foi isso que ocorreu. Além de bloquear o dinheiro, o Plano Collor mudou as normas de remuneração das aplicações.
Assim, só as contas com data-base de 1º a 13 do mês receberam em abril o rendimento de 85,2416%, referente a março. Para as contas dos dias 14 a 28, a rentabilidade foi de 2% a 4%, resultado da adoção da variação do BTNf como indexador. E são exatamente os poupadores que não receberam a remuneração de 85,2416% que estão querendo a diferença na Justiça.
Plano Verão – Antes, em janeiro de 1989, os aplicadores em caderneta de poupança já haviam amargado perdas com o Plano Verão. A correção, que deveria ter sido pelo IPC de 70,28%, foi de apenas 22,3590%, referente à taxa do overnight.
Vale lembrar, no entanto, que, no caso de recuperação das perdas do Plano Verão, os processos são contra os bancos depositários das contas e a Justiça vem dando ganho de causa aos investidores da caderneta. O prazo para impetrar a ação só prescreverá em 2009.

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