Em um país que tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, é bastante comum que os cidadãos se atrapalhem com a quantidade de informações sobre o assunto. Há juros nominais e juros reais e o consumidor deve ficar atento antes de efetuar qualquer transação no comércio ou no mercado financeiro. No entanto, o que o cidadão deve sempre levar em conta são os juros reais (taxa do juro nominal, descontada a inflação do período) que é o que efetivamente vai pesar no bolso.
  Por exemplo, se a taxa Selic está na casa dos 16% e a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de cerca de 5%, a taxa real de juros é de 11%. A simulação pode ser repetida hipoteticamente na compra de uma cadeira. Em janeiro a peça custava R$ 100 e em dezembro o preço subiu para R$ 105. Se a inflação no período foi de 5%, é possível dizer que o preço da cadeira não foi alterado. ‘‘Compras no crediário com juros de 45% são exorbitantes porque o juro real é de 40%’’, comenta o economista Ismael Mologni.
  No entanto, o setor mais penalizado com os juros altos pode ser o próprio setor público. Ele explica que a dívida pública é de cerca de R$ 1 trilhão e com a taxa Selic em 16%, o Tesouro Nacional tem que desembolsar R$ 160 bilhões por ano para pagamento de juros. Descontada a inflação - R$ 50 bilhões - o Tesouro paga R$ 110 bilhões de juros reais da dívida pública. ‘‘Os economistas e analistas estão preocupados porque os impostos estão sendo corrigidos conforme a inflação, mas os juros da dívida pública estão muito altos’’, diz.
  Segundo Mologni, a taxa Selic é mantida em patamares altos apenas para manter os investidores internacionais no País. ‘‘Os juros altos não seguram a inflação porque a nossa inflação não é de demanda, é de custo. Como exemplo ele cita o aumento de preços no mercado internacional do petróleo e do ferro, que influenciam diretamente no custo de vários outros produtos no mercado interno. Na sua avaliação, com uma inflação de 5%, a taxa de juros poderia ser de 7% ao ano, ao invés dos atuais 16%.
  ‘‘O País não faz isso porque os investidores internacionais irão sair do País e o Banco Central vai ficar sem reserva cambial. No entanto, os investimentos são inversamente proporcionais à taxa de juros’’, explica o economista. Ele acrescenta que inflação de custo gera desemprego porque o resultado é a estagnação da economia. ‘‘Juro real de 11% ao ano é interessante apenas para rentistas porque em seis anos e meio ele vai dobrar o patrimônio financeiro sem um metro quadrado de bem de raiz ou de investimentos em produção’’, observa.

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