Quando houve a abertura do mercado para instituições superiores privadas, em 1998, o Brasil somava 1,8 milhão de alunos no ensino superior nos sistemas público e particular. Apenas no segmento privado eram 950 mil alunos, distribuídos entre 687 instituições, o que movimentava R$ 14,4 bilhões ao ano. Atualmente, são 6,4 milhões de alunos no ensino superior, sendo que 4,8 milhões estão no setor privado, distribuídos entre 2.100 instituições espalhadas pelo País, mas concentradas no Sul e Sudeste, que são responsáveis por mais de 70% do total de estudantes. Os números são da Hoper - Consultoria em Educação.
De acordo com Ryon Braga, presidente da empresa, 75% dos alunos do ensino superior brasileiro estão em instituições privadas, o que justifica a importância que este mercado tem para a economia. Segundo ele, anualmente, apenas o setor privado movimenta R$ 30 bilhões. ''Além de gerar uma quantidade significativa de recursos, é muito relevante para a formação de mão de obra do País'', afirma. Na proporção mundial, o Brasil está entre os países que mais têm alunos no setor privado.
Braga reitera que, embora o setor privado tenha crescido bastante nos últimos anos, ainda há muito espaço para expandir. ''Temos capacidade e demanda para até 12 milhões de alunos, mas está difícil chegar a esse número porque as vagas nas universidades públicas são limitadas - anualmente são disponibilizadas 363 mil - e muitos estudantes não têm receita suficiente para pagar pelo estudo particular'', justifica. A solução, segundo ele, é ampliar o crédito estudantil.
O presidente da Hoper atesta que o contingente de estudantes está aumentando em virtude das facilidades de acesso ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), mas ainda assim, somando esta modalidade e o Programa Universidade para Todos (ProUni), o Brasil é um dos países com os menores índices de financiamento do mundo. ''Não chega a 20%'', diz. Como exemplos, ele cita os Estados Unidos, que financiam 72% de seus estudantes de alguma forma e o Chile, que disponibiliza empréstimo total ou parcial para 63% dos estudantes.
Braga revela que há expectativa muito grande de que o governo aumente os financiamentos estudantis nos próximos anos para alavancar o setor. ''Estimamos que até 2015 teremos o dobro de estudantes financiados, tanto com créditos públicos quanto com créditos privados'', diz. ''Para as instituições isso é muito benéfico. Algumas conseguem colocar até 40% dos alunos dentro das salas de aula vinculados ao ProUni ou Fies'', conclui.(A.V.)

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