Se o reajuste da mensalidade escolar já não é mais o vilão para famílias com filhos em colégio particular, com a economia estabilizada o peso do ensino no orçamento da classe média continua tirando o sono de muitos pais no início do ano letivo. Transferir o filho para a escola pública é uma opção quase descartada. A maioria prefere se esforçar para pagar as mensalidades e garantir qualidade na educação das crianças. Para famílias com mais de um filho, os colégios de Londrina oferecem desconto.
A empresária do ramo de alimentação, Beth Shigutsi, aguarda a resposta da escola onde estudam seus três filhos - de 16, 15 e 12 anos - de um pedido de desconto. Ela conta que este ano está pagando R$ 830,00 por mês. ‘‘Para o mais velho, que está no terceiro colegial, não há desconto porque a procura é grande por vaga nessa série. Talvez o máximo que possa conseguir é 10% de desconto. Mas 10% diante de R$ 830,00 não significam muito’’.
Beth afirma que já pensou em transferir os filhos para a rede pública de ensino. ‘‘Mas no fundo é uma decisão muito difícil. No ano passado, eles já mudaram de colégio, justamente para ter mais qualidade’’. Se a mensalidade já assusta, a relação do material escolar, entregue no início das aulas, é outro rombo no orçamento. Segundo Beth, a taxa de apostilas do filho mais velho é de R$ 270,00. ‘‘Imagino que vou gastar mais uns R$ 500,00 para os outros dois’’. Beth acaba pagando o material em parcelas.
A maioria dos colégios está disposta a negociar preços com os pais. No colégio Canadá, cada caso é analisado individualmente. Segundo o diretor de ensino, Marcos Posso, a intenção é evitar a saída de alunos. ‘‘Nossa taxa de evasão é muito baixa, justamente por causa desse atendimento caso a caso’’, diz. De acordo com ele, o Canadá abriu concurso para concessão de bolsa com 60% de desconto para alunos dos 1º e 2º colegiais noturnos.
A coordenadora administrativa do colégio Marista, Gleide Ferrarezi, afirma que cresce a cada ano o número de pais que tiram seus filhos da escola atrás de mensalidades mais baratas ou até de escola pública. ‘‘Não é um número alarmante, mas acontece’’, diz. Segundo ela, a escola estuda cada caso e vê como pode resolver a situação.
‘‘Para alunos que estão na escola há bastante tempo, a escola apresenta propostas de mensalidades mais baratas, mas há situações insolúveis. Mesmo com descontos, os pais não têm condições’’. Gleide afirma que desde o Plano Real pagar escola ficou mais difícil para os pais. ‘‘Muitos perdem o emprego ou então são empresários que fecham o negócio. Esse número tem ficado maior a cada ano’’. No caso de irmãos, o Marista oferece desconto de 10% para o segundo filho matriculado; de 20% para o terceiro; e de 50% para o quarto filho. ‘‘A partir do sexto, há bolsa integral’’.
De acordo com a diretora do colégio São Paulo, Maria Lucy Granado, são pouquíssimos os pais que retiram o filho da escola para matriculá-lo em escola pública por dificuldades financeiras. ‘‘Há aqueles casos em que o pai paga a mensalidade sem dificuldade durante o ano todo. Mas há também muito sacrifício, pais que pagam com muito esforço’’.
O colégio São Paulo concede desconto de 5% para cada aluno, no caso de irmãos. Para quem paga a mensalidade no dia 30 de cada mês, os descontos variam em média entre 20% e 22%; para pagamentos efetuados no 5º dia útil, os descontos são em torno de 15%. Segundo a diretora, só os pais com atraso de dois meses na mensalidade pagam o valor real. ‘‘Sempre há negociação; a escola muitas vezes segura cheque.’’
O diretor administrativo do colégio Universitário, Manuel Sousa Machado, explica que é difícil calcular o número de alunos que deixam o colégio por dificuldade financeira porque os pais raramente admitem essa situação quando pedem transferência. Machado afirma que o Universitário tem uma política de descontos bastante severa. ‘‘Não concedemos desconto porque temos um custo real. A marge de lucro por aluno é pequena. No caso de irmãos, o segundo tem 5%; o terceiro, 10%; o quarto, 15%.’’
Para o relações públicas do colégio Maxi, Virgílio Tomasetti Júnior, os colégios estão bem atentos para manter os alunos com bom desempenho. ‘‘Se o aluno for muito bom, o colégio segura e não deixa ir para outra escola’’. No Maxi, a política de desconto para famílias com mais de um filho no colégio é a seguinte: desconto de 10% para o segundo filho e de 15% para o 3º.

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