A educação financeira é um trabalho de longo prazo. ''Os pais devem assumir posições firmes sobre o assunto. Não adianta um longo discurso hoje sobre a importância do dinheiro e depois apresentar uma postura diferente'', disse Cássia Filocre. Segundo ela, é muito frequente que o pai assuma uma determinada posição sobre o assunto e a mãe outra.
Ela destaca que a educação financeira não é apenas ensinar a acumular bens, alcançar fama ou ser especialista em investimentos. É importante que a criança saiba como se ganha, como se gasta, como poupar e como pode doar o dinheiro, o tempo e o talento. ''Ensinar apenas como se ganha dinheiro, acaba ficando um buraco na educação'', disse.
Ensinar a gastar é mostrar como ponderar escolhas. Poupar, diz ela, é ser capaz de adiar um desejo de agora em função de futuros benefícios. Atitudes simples também podem mostrar à criança como se doar em favor dos outros como, por exemplo, ensinar o amigo a passar de uma fase para outra do videogame. Em contrapartida, os pais podem enfatizar com a criança como ela é generosa.
Outra dica é chamar a criança para colaborar na elaboração da lista de supermercado. ''Muitas pessoas entram no supermercado desprovidas de planejamento. A criança percebe que a família consome baseada no impulso'', disse.
Para ela, dois conceitos preciosos que a criança deve compreender são ''querer'' e ''precisar''. ''Existem coisas que a gente consome porque quer e outras porque precisa. As coisas que precisamos devem vir antes. Os pais podem ajudar a criança a fazer esta distinção devagar, no cotidiano'', disse.
A dona de casa Veruska de Freitas, 32 anos, tem dois filhos, Beatriz, 11 anos e Bruno, 14 anos. Os dois ganham mesada e preferem juntar o dinheiro mês a mês para comprar coisas de valores maiores. Eles ganham R$ 20 por mês cada um e, geralmente, guardam para comprar o presente de Natal. ''Quando falta dinheiro para comprar o presente, eu completo'', disse a mãe. Veruska conta que, quando os filhos eram menores, usavam o dinheiro para comprar coisas de menor valor como balas e sorvete. ''Dificilmente eles pedem dinheiro além da mesada'', contou ela.
Bruno e Beatriz também costumam acompanhar a mãe para comprar roupas, ir ao banco e pagar contas. ''Eles têm noção dos gastos da casa'', disse ela. ''Acho legal juntar o dinheiro. Dá para comprar coisas de valores altos'', afirmou Bruno. Ele já conseguiu comprar com a mesada, uma bicicleta e um MP3 e tem um cofre para guardar o dinheiro. Beatriz já comprou um aparelho de som e um MP3. Para adquirir a bicicleta juntou a mesada, dinheiro do pai e dinheiro de outros familiares. ''Quando vejo algumas coisas dá vontade de gastar. Às vezes, compro. Quando não quero gastar saio de perto'', disse.

Serviço
- Sites recomendados
www.mesada.com.br
educfinanceira.com.br

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