Enquanto o Brasil perdeu 22,9 mil empresas, Paraná ganhou 799
Números de 2017 apontam que apenas 5 dos 27 estados tiveram desempenho melhor; São Paulo terminou aquele ano com 12,2 mil estabelecimentos a menos
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Números de 2017 apontam que apenas 5 dos 27 estados tiveram desempenho melhor; São Paulo terminou aquele ano com 12,2 mil estabelecimentos a menos
Nelson Bortolin - Grupo Folha 
A taxa de sobrevivência das empresas do Paraná foi de 85,5% em 2017, a quarta mais alta do País. Rio Grande do Sul (87,4%), Santa Catarina (87,2%) e Minas Gerais (86,2%) apresentaram resultados melhores naquele ano. Foram abertas 59.831 e fechadas 59.032 empresas no Paraná em 2017, resultando num saldo positivo de 799. Foi o quinto melhor, depois de 1.959 de Goiás, 1.608 de Santa Catarina, 1.052 do Piauí, e 82 de Mato Grosso.

Como 12 das 27 unidades da Federação tiveram um número maior de empresas fechadas que de empresas abertas, o saldo nacional foi negativo em 22,9 mil. Estados importantes como São Paulo e o Rio Grande do Sul apresentaram saldos negativos de 12.222 e 6.736 empresas respectivamente. O Rio de Janeiro terminou o ano de 2017 com 6.736 menos empresas do que tinha no início do ano
Os dados são do estudo Demografia das Empresas e Empreendedorismo 2017, divulgado na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).
Segundo o instituto o total pago em salários no Paraná naquele ano foi de R$ 67,6 bilhões ou 6,5% de R$ 1,030 trilhão em todo o País. A média salarial paranaense foi de 2,5 salários mínimos, a quarta maior. São Paulo e o Distrito Federal pagaram em média 3,3 salários mínimos e o Rio de Janeiro, 3.
Já o número de paranaenses assalariados era de 2,216 milhões, representando 6,9% do total de 31,8 milhões no País.
Duas atividades econômicas, de acordo com a classificação do IBGE, tiveram expansão importante no número de empresas. Na ‘saúde humana e serviços sociais’, foram abertas 3.194 empresas e fechadas apenas 1.477. Ou seja, ao final de 2017, esse setor contava com 1.717 empresas a mais que no começo do ano. Outro destaque foi para ‘atividades profissionais, científicas e técnicas’, setor que teve 4.714 aberturas de empresa e 3.036 fechamentos - saldo positivo de 1.678.
Na outra ponta, o ‘comércio e reparação de veículos’ foi o que mais encolheu. Foram abertas 21.974 empresas nesta atividade e fechadas 25.354, uma redução de 3.380 empresas no ano. Na indústria da transformação o saldo foi negativo em 884 empresas (ver quadro).
“Em relação às taxas de sobrevivência das empresas, podemos verificar resultado melhor do Paraná comparativamente ao Brasil, o que indica uma condição menos desfavorável do Estado em um contexto de lenta recuperação da economia nacional”, afirma o diretor do Centro de Pesquisa do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Júlio Suzuki Júnior.
Segundo ele, o crescimento do número de empresas da área de saúde está relacionado, entre outros fatores, ao aumento da demanda da população por esses serviços, “refletindo, novamente entre vários outros determinantes, o envelhecimento da população”. “Já o declínio das empresas comerciais está relacionado à retomada lenta da economia brasileira, havendo ainda a influência do avanço do comércio eletrônico, afirma o diretor.
Para o economista, professor da UTFPR e colunista da FOLHA, Marcos Rambalducci, os números do IBGE confirmam que, se a indústria vai mal, os serviços e o comércio também vão mal. “Como a indústria apresenta desempenho negativo o comércio e serviços seguem o mesmo caminho.” Ele ressalta que o número de indústria de transformação fechadas, 884, é proporcional à representatividade delas na economia. “As pessoas param de comprar, deixam de ir a restaurantes e hotéis”, afirma. Em 2017, o saldo negativo de empresas de alojamento e alimentação foi de 332.


