Engenheiros denunciam contratações
O governador Jaime Lerner se viu numa situação pouco confortável ao ser pressionado por uma equipe de TV, de que o Sindicato dos Engenheiros do Paraná estava denunciando as montadoras recém instaladas no Estado, que não estão contratando profissionais paranaenses. O episódio ocorreu ontem, durante lançamento da pedra fundamental de construção de uma planta industrial conjunta entre Renaul e Nissan. Lerner chegou a convidar a repórter a entrar com ele na fábrica para conferir a procedência dos empregados da Renault.
O governador admitiu que em setores específicos, poderia haver mais funcionários de fora do Paraná. Mas garantiu que 90% dos empregados da montadora são paranaenses e que o seu esforço é para gerar empregos para os paranaenses. O presidente da Renault no Brasil, Jean Luck Ménard, também entrevistado sobre o assunto, disse que a equipe de reportagem deveria procurar o diretor de recursos humanos. Diante da insistência da repórter, Menard disse que a montadora respeita a legislação brasileira e não tem problemas com pagamentos de multas e encerrou o assunto, dizendo que já havia respondido o suficiente.
O assunto em questão se refere à denuncia que o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senges) encaminhou ao CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) de que 65% dos engenheiros contratos pelas montadoras Renault, Chrysler e Audi e pelas empresas telefônicas Global Telecon e Tim Celular, estão trabalhando de forma irregular. Dos 464 engenheiros contactados, 252 profissionais não têm registro junto ao CREA e outros 64 estavam com seus registros cancelados. Segundo o diretor do Senges, Rasca Rodrigues, a pesquisa aponta que a maior parte dos profissionais vieram de outros estados. Segundo ele, tanto a UFPR como o Cefet formam engenheiros mecânicos de bom nível que não estão sendo aproveitados.
O Senge pediu investigação das irregularidades verificadas nessas empresas junto ao Ministério Público. As empresas também não estariam com seus registros firmados junto ao CREA, como exige a legislação, para que o Sindicato possa fiscalizar o exercício profissional dos funcionários que estão sendo contratados. O Senge disse ainda que encaminhou denúncia também ao MP diante da entrada de mais de 2.000 profissionais da engenharia no Brasil, no ano passado, que vieram com autorização de trabalho. Mas isso não dá o direito de exercer a profissão, argumentou Rodrigues. (V.C.)





