Engenheiro e físicos criam triciclo de sucesso
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quinta-feira, 15 de março de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A criação e produção de uma linha de triciclos levou uma empresa nascida no Paraná a quebrar barreiras e tornar-se uma transnacional. A Trikke surgiu da sociedade de três paranaenses - o engenheiro mecânico Osório Trentini e os físicos Gildo Beleski e Luciano Araújo. Cada um deles trabalha em casa e a empresa funciona totalmente via internet. O setor de projetos da companhia fica em Curitiba; o de comercialização na Califórnia (EUA) e a fábrica está na cidade chinesa de Shenzen.
A Trikke foi dividida em quatro empresas menores - a Trikke Tech Inc. que fica nos Estados Unidos e é a gestora, a Trikke Europa na Holanda, a Trikke USA na Califórnia e a Trikke Sul-América em Curitiba. Trentini, que é responsável pela Trikke Sul-América, disse que a marca vendeu 300 mil triciclos em 15 países e conquistou até clientes como o ator americano Brad Pitt.
A companhia foi criada em 1988 em Curitiba e, no ano seguinte, recebeu uma proposta de produção de 30 mil unidades para o mercado norte-americano. A empresa chegou a fechar as portas em 1992 com o Plano Collor e reabriu alguns anos depois na Califórnia graças a ousadia de Gildo Beleski. Ele viajava com frequência para os Estados Unidos e percebeu que lá haviam mais condições de produção. Para reiniciar o negócio fez uma associação com o americano John Simpson que era distribuidor de patinetes na Califórnia. Na época, o produto teve o registro de patente internacional e foi formada uma rede de distribuição. Para entrar no Brasil, o triciclo tem uma carga de 85% de imposto de importação.
Agora, a Trikke tem pretensões de voltar a produzir no Brasil mas sem abandonar a fábrica chinesa. Entre os locais que estão em estudos para a nova unidade industrial estão Curitiba, Manaus ou o Paraguai. A idéia é comercializar o produto no Brasil através de franquias. Hoje são sete franquias em Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Salvador e Maceió. A meta é ter 175 lojas franqueadas em cinco anos.
A empresa tem cinco modelos de triciclos com preços que variam de R$ 640 a R$ 2.050. ''O brasileiro acha mais fácil fazer igual (coisas que são comuns) do que criar uma coisa original, diferente. Este é o ponto crucial da nossa experiência'', destacou.
Trentini começou a fazer os ''primeiros rabiscos'' do triciclo em 1984. Quatro anos depois começaram as pesquisas de patente. Na época, Trentini e os outros dois sócios trabalhavam no Tecpar. ''Para inovar você tem que estar envolvido com a tecnologia'', disse. Ele conta que não sabia andar de skate mas queria criar um produto que fizesse o movimento do esqui. Com isso, surgiu a idéia do triciclo.
O primeiro protótipo ficou pronto em 1987. No ano seguinte, foram vendidas 50 unidades para o governo do Paraná. ''Alugamos um espaço em uma fábrica de um amigo. A pintura e a fabricação da algumas peças foi terceirizada. Só fizemos a montagem'', disse.
O produto também foi apresentado para a Kraft (fabricante da marca Lacta) que comprou 400 unidades e pagou adiantado. Com o dinheiro, Trentini montou a fábrica em 1989. ''Acredito que o negócio deu certo desde a primeira arrancada pela inovação e pelo design'', disse. A Kraft espalhou o produto pelo Brasil inteiro como um brinde do chocolate Bis.
''Na década de 90, o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello) deu a porrada na economia'', lembrou. Com isso, em 1992, a empresa foi obrigada a fechar por falta de caixa e de mercado.
Trentini encerrou as atividades da companhia por dez anos. Neste período trabalhou em empresas como Volvo, Denso, Renault e Nissan. A Trikke só foi retomada em 2004.


