Enfrentando a reação dos financiadores da dívida
É até engraçado, para a grande maioria dos brasileiros, imaginar que alguém possa não gostar de receber de volta um dinheiro emprestado. Mas é exatamente assim com os financiadores da dívida pública, que vivem de especulação e fazem fortuna em cima dos juros pagos sobre um valor que tende ao infinito. Por isso, qualquer plano de liquidação da dívida precisa prever que haverá forte reação dos credores.
''Há reação porque a mamata dos banqueiros acaba por aí. O primeiro grande problema que eles podem criar para um programa dessa natureza é se reunir num cartel, pegar esse dinheiro que está sendo pago a eles e financiar a custo baixíssimo a festa do consumo. Isso criaria um problema muito sério de desabastecimento e, com ele, a inflação'', pondera Rockembach.
Para evitar tais medidas, uma das sugestões do economista é apelar para o depósito compulsório que os bancos fazem no Banco Central (BC), hoje em 20%. ''Ao fazer o pagamento, a gente tem que convidar o banqueiro a participar do projeto de consertação nacional, usando esses recursos para investir no aparelho produtivo. Se ele aceitar, o depósito compulsório baixa para 5%. Se não, sobe para 85%'', radicaliza. (V.N.)





