A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu ontem, em leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que empresas vão construir 2,9 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica. Serão necessários investimentos de aproximadamente R$ 1,6 bilhão. O direito de construir as linhas e operá-las por 30 anos foi disputado em leilão, no qual ganhava o consórcio que se dispusesse a cobrar a menor tarifa dos consumidores.
O maior deságio em relação ao teto tarifário definido pela Aneel foi de 3,34%, oferecido pelo consórcio formado pela Inepar Energia (leia matéria ao lado) e a Italiana Enelpower para a interligação Sudeste-Nordeste, entre Serra da Mesa (GO) e Governador Mangabeira (BA).
‘‘Houve muita competição e é muito bom que tenha vencido quem vai cobrar menos, e não quem paga mais, como em leilões tradicionais’’, disse o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo. Ele acrescentou que, pelo contrato de licitação, todas as linhas deverão estar prontas até 2002, sob pena de as empresas perderem as garantias contratuais que depositaram junto à Aneel.
Além dos 1.050 quilômetros da interligação Sudeste-Nordeste também foram licitadas a Interligação Norte-Sul II (1.271 quilômetros entre Imperatriz (MA) e Samambaia (DF) e a expansão da interligação Norte-Sul (295 quilômetros entre Samambaia e Itumbiara (GO).
Para este ano estão previstas as licitações das linhas Sul-Sudeste (Curitiba a São Paulo) e Norte Nordeste (Tucuruí (PA), a Presidente Dutra (MA). As duas somam mil quilômetros e exigem investimentos de cerca de R$ 1 bilhão. No ano que vem serão licitadas 17 linhas, num total de 4.000 quilômetros, exigindo investimentos de R$ 1,5 bilhão.
Abdo informou ainda que ainda este mês serão lançados os editais de licitação para a construção de 12 usinas hidrelétricas, cujo leilão deve ocorrer até novembro. O investimento total neste projetos, que vão adicionar ao sistema elétrico uma capacidade de 2,3 mil megawatts (MW), será de cerca de R$ 3,2 bilhões.

mockup