Energia renovável depende do petróleo
A boa fase vivida pelos programas de energia renovável poderá ser colocada em xeque se o preço do petróleo cair. Essa é a avaliação do professor Pery Francisco Assis Shikida, da Unioeste. Com uma opinião controversa, o professor afirma que a ''era do petróleo'' irá acabar, mas não pelo fim do óleo fóssil, mas pelo surgimento de outros substitutos. ''O petróleo não está acabando, temos novas fontes sendo descobertas'', afirma.
Segundo ele, o álcool terá o seu espaço no mercado por ser ''ecologicamente correto''. No entanto, o seu custo de produção é mais alto do que o do petróleo. ''O álcool não compete economicamente com o petróleo. O custo do óleo varia entre US$ 17 e US$ 20 o barril - no Brasil, em alguns países exportadores este custo chega a US$ 4 -, já o custo do álcool vai de US$ 30 a US$ 40'', compara.
Na avaliação de Shikida, inclusive, a cotação atual - na casa dos US$ 60 o barril - é especulação de mercado. O professor lembra que entre 1996 e 2003 o setor teve que passar por uma reestruturação. ''Foi uma 'fase darwinista', em que as empresas tiveram que se adequar ao mercado para não quebrar. E aquelas usinas que não se adequaram ou foram incorporadas pelas mais dinâmicas, ou quebraram'', comenta.
Desde 2003, o segmento conta com um cenário favorável. ''Mas se o preço do petróleo cair, colocará em xeque todos os programas de biodiesel e atingirá também o Proálcool'', afirma o professor. Ele acrescenta que deve haver incentivos aos programas agroenergéticos. ''Mas devemos ter consciência e racionalidade econômica, do contrário, qualquer movimento de preços liquidará um programa que no futuro poderá ser a nossa salvação'', comenta. (F.M.)





