Energia poderá ficar 10% mais cara até 2006
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de agosto de 2001
Agência Folha<BR>De Brasília 
O secretário nacional de Energia, Afonso Henriques Moreira Santos, estima que o preço da energia aumente em cerca de 10% até 2006. A justificativa seria uma alta nos custos relacionados à entrada da energia das usinas termelétricas no sistema nacional. Até 2003, o governo conta com um aumento de aproximadamente 6 mil MW, com a entrada em operação de 15 termelétricas.
Moreira Santos defendeu um sistema de repasse dos custos para a tarifa melhor que o atual. Segundo ele, a fórmula utilizada hoje provoca muito desgaste para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), pois muitos custos deveriam ser repassados automaticamente, sem a necessidade da intermediação da agência.
''A situação das distribuidoras ficou complicada. Elas estão com problemas de fluxo de caixa'', disse o secretário sobre o impacto do racionamento nas contas das concessionárias. Segundo ele, não é necessário esperar o fim do racionamento para que essas empresas peçam revisão extraordinária das tarifas.
Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste devem chegar ao final deste mês entre 2,9 e 3,2 pontos percentuais mais cheios que o estimado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) no início do racionamento. A informação é do diretor de Operação do ONS, Carlos Ribeiro. Para o Nordeste, a estimativa também é positiva, devendo o nível das barragens ficar entre 0,6 e 0,9 ponto percentual acima da curva de acompanhamento do ONS.
Ribeiro explicou que, se não houvesse o racionamento de energia, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste atingiriam, no final de agosto, apenas 10% de sua capacidade, o que é considerado nível de segurança do sistema.
Isonomia O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, defendeu ontem a revisão do critério de tarifas para os consumidores residenciais e os grandes usuários de eletricidade, como a indústria eletrointensiva. Abdo explicou que, enquanto os clientes ligados às redes de baixa tensão das concessionárias tiveram reajuste de tarifas de 106% entre junho de 1994 a julho de 2000, as tarifas dos grandes consumidores subiram apenas 60% no mesmo período. Os consumidores ligados às redes de baixa tensão são responsáveis por 45% do mercado de energia elétrica. Porém, 63% da receita das concessionárias são provenientes destes clientes. A diferença de custo, segundo gráfico divulgado por Abdo, é bastante significativa. As distribuidoras tiveram, no ano passado, receita global de R$ 33,2 bilhões. Como os clientes de alta tensão conseguem um produto mais barato (R$ 74 o megawatt/hora), a participação deste segmento ficou em R$ 12,284 bilhões das receitas totais.
Já os consumidores residenciais ou demais classes de consumo que recebem energia em baixa tensão pagaram R$ 20,918 bilhões para as concessionárias. Estes clientes adquiriram, no ano passado, energia a R$ 150,00 o MW/h.


