O governo não descarta um aumento na tarifa de energia elétrica ainda este ano como estratégia para desestimular o consumo e forçar a economia de eletricidade. Segundo uma graduada fonte do governo que está trabalhando no plano de racionamento, a meta de inflação fixada para este ano suportaria algum reajuste na tarifa. Um reajuste maior no ano que vem também pode fazer parte da estratégia do governo para evitar racionamentos em 2002.
‘‘Uma política de preços não está descartada. Precisamos encontrar alguma maneira de fazer com que o consumidor economize e venha para o nosso lado’’, explicou esse integrante do governo.
Na avaliação das autoridades, o pagamento do bônus não será suficiente para estimular a economia de energia e seria preciso algum outro instrumento, no caso o aumento da tarifa, para que a medida fosse realmente eficaz. ‘‘Com a multa nós iríamos ter o consumidor poupando energia, mas agora caímos numa situação em que cada um se preocupa consigo mesmo e deixa para o vizinho a tarefa de economizar’’, explica essa fonte.
Junto com as medidas para o racionamento de energia, o governo vai definir regras claras de investimentos no setor para acelerar a entrada em funcionamento de novas usinas. A definição do risco cambial envolvido na compra do gás natural das termoelétricas foi apenas a primeira dessas medidas. A intenção é dar condições para que o setor privado possa fazer os investimentos necessários, enquanto o governo se compromete em ampliar as linhas de transmissão.
O racionamento de energia vem sendo considerado pelo governo como o principal problema do País neste momento, pois além de trazer grande desgaste político vai comprometer as metas de crescimento econômico, o que implica menos emprego.
De acordo com essa fonte do governo, a gravidade da situação exigia que o governo tivesse agido mais cedo, em vez de ter apostado todas as chances na chuva. Para isso teria sido essencial que o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tivessem transformado logo no início do ano o assunto numa questão de governo e começado a discussão muito antes da certeza de que o racionamento seria inevitável. ‘‘Acho que até o presidente foi surpreendido’’, disse a fonte do governo.
Entre os integrantes da equipe econômica, o que se diz é que não houve alertas sobre a dimensão do problema. ‘‘Não recebemos nenhum relatório’’, garante uma fonte do setor, que afirma ter entrado nas discussões há apenas vinte dias.
A discussão sobre o racionamento praticamente paralisou a equipe econômica. Os técnicos da Fazenda e do Planejamento estão trabalhando em tempo integral na elaboração do plano. O governo está fazendo estudos para avaliar o impacto macroeconômico do racionamento este ano e em 2002 e terá todas as simulações prontas antes da reunião do dia 23, quando o plano deve ser aprovado.
A tentativa do governo agora é fazer com que o plano de racionamento seja o mais específico possível para reduzir o impacto econômico e político. A idéia continua sendo privilegiar os consumidores industriais, que terão os menores cortes, e o principal argumento para convencer o resto da população a se sacrificar será a manutenção dos empregos. ‘‘Para a população será uma coisa chata por algum tempo’’, disse essa fonte. O governo vai vender a imagem de que quanto mais a produção for afetada, maiores serão as demissões.

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