Curitiba - O consumidor residencial do Paraná terá a tarifa de energia elétrica reajustada em 23,88%. Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o pedido da Copel Distribuição de aumento de, em média, 24,86%. Já, para os consumidores de alta tensão (indústrias), o reajuste será de 26,28%.
No dia 24 de junho, data do reajuste anual, a Aneel tinha aprovado um índice médio de 35,05% nas tarifas da estatal paranaense. No mesmo dia que foi divulgado o aumento, o governador Beto Richa, candidato à reeleição, informou, por meio das redes sociais, que ficou "surpreendido" com a decisão da Aneel e solicitou a suspensão do reajuste. Inicialmente, a Copel tinha solicitado um índice de 32,4%.
Como a data do reajuste anual da Copel é 24 de junho, o aumento, que atingirá 4,2 milhões de unidades consumidoras, é retroativo a este dia. O presidente da Copel Distribuição, Vlademir Daleffe, explicou que a empresa vai cobrar o valor retroativo em uma única parcela.
Com a aprovação de 24,86%, fica um porcentual residual de aumento, de 10,1%, que deve se somar aos quase 5% que foram postergados no reajuste de 2013. Isso significa que a conta do consumidor já teria um aumento de 15% previsto para junho de 2015. Mas, a aprovação deste novo reajuste depende da Aneel, de fatores como a necessidade de uso de usinas termelétricas - que têm um custo mais caro que as hidrelétricas -, e de outros encargos que a Copel venha a ter.
Para chegar a um índice menor que os 35,05% que a Aneel tinha aprovado, a Copel Distribuição terá um descompasso de caixa de R$ 1 bilhão, segundo Daleffe. Para compensar esse valor, a companhia deve reduzir custos e revisar o cronograma de obras.
Em 2013, foram investidos R$ 800 milhões na distribuição e, neste ano, deve ser mantido este valor. Segundo Daleffe, os cortes devem acontecer nos demais segmentos, como geração e transmissão. Ele disse que o grupo Copel terá que reprogramar cerca de R$ 600 milhões em investimentos, sendo parte neste ano e o restante no primeiro semestre de 2015, devido ao reajuste que foi concedido neste ano.
De acordo com a Aneel, os principais aspectos que pesaram para um reajuste tão alto foram os custos que a Copel teve com a compra de energia, a necessidade de contratar energia em leilões, além da variação da tarifa de geração da Itaipu, que é em dólar.
A Copel Distribuição teve um prejuízo de R$ 14 milhões no primeiro trimestre de 2014. No mesmo período do ano passado, o prejuízo tinha sido de R$ 65 milhões. Já o balanço total da companhia, também do primeiro trimestre, apontou um lucro líquido de R$ 583 milhões contra R$ 398 milhões no mesmo período do ano passado, o que significa um crescimento de 46,3%.

Imagem ilustrativa da imagem Energia elétrica vai subir 23,88%