Energia elétrica pode subir até 30%
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba A tarifa de energia elétrica no Brasil deverá subir entre 23% e 30% a partir de fevereiro do ano que vem em 17 das 64 concessionárias distribuidoras de eletricidade do País. A previsão é do presidente do Forum Nacional de Conselhos de Consumidores de Energia Elétrica, Amado de Oliveira Filho, organizador do 5º Encontro Nacional que começou anteontem em Curitiba e reúne cerca de 250 representantes de setores ligados ao consumo de energia.
De acordo com Oliveira Filho, a revisão tarifária está prevista em contrato assinado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). ''O lucro das concessionárias caiu com a alta do câmbio e com a campanha nacional de combate ao desperdício para evitar o apagão em todo o Brasil. O reajuste parece inevitável. No entanto, isso trará uma catástrofe para o bolso do consumidor final'', avaliou.
A carga de impostos, principalmente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), também seria um dos fatores que impediria a lucratividade das concessionárias de energia. ''Temos um problema sério. De um lado as concessionárias, que estão deficitárias. De outro, a tarifa que já é cara e tem sido reajustada anualmente de acordo com os índices inflacionários estabelecidos pelo governo federal'', complementou.
O câmbio prejudicaria as concessionárias por causa de uma determinação da legislação nacional que obriga o Brasil a comprar, em dólar, da Itaipu Binacional 20% da energia que consome. ''Foi isso que estrangulou a Copel, que sempre foi uma empresa altamente lucrativa. Uma das maiores do Brasil'', analisou. Os problemas apontados pelos consumidores serão transformados em texto e farão parte da Carta de Curitib, que será será encaminhada para o presidente Fernando Henrique Cardoso, o eleito Luís Inácio Lula da Silva, os atuais governadores de Estado e os eleitos. ''Temos muito o que fazer para impedir a alta das tarifas. A começar por romper o acordo com a Itaipu Binacional'', elencou ele.
A Copel é uma das concessionárias que não terão a revisão tarifária no ano que vem. A revisão da empresa está prevista em contrato com a Aneel para junho de 2004. O diretor superintendente da Copel, Pedro Augusto do Nascimento Neto, disse que a empresa estatal tem primado pelo atendimento ao cliente com a criação de um atendimento especializado que atende mensalmente cerca de 700 mil consumidores. A Copel distribui energia para 99% da área urbana paranaense (exceto áreas de invasão) e 90% da área rural. Para o ano que vem, a cobertura na zona rural deverá chegar a 95%.


