Energia do Sudeste ajuda abastecimento no Estado
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quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba A implantação do horário de verão no dia 25 de outubro aliviou a pressão sob as reservas hidrelétricas das usinas paranaenses, que estão operando em um nível crítico para esta época do ano. Atualmente, os reservatórios da bacia do Rio Iguaçu, que abriga as cinco maiores usinas do Estado, registram um índice de 19,8% da sua capacidade de armazenamento de água. No ano passado os reservatórios estavam praticamente cheios, com 97,5% da sua capacidade total.
A falta de chuvas no início do inverno este ano na bacia do Iguaçu forçou o Paraná a recorrer à energia produzida na Região Sudeste para manter o abastecimento normalizado. Tradicionalmente, são as usinas da Região Sul que abastecem o Sudeste neste período do ano. Segundo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), o abastecimento em algumas cidades do Paraná poderia ter sido interrompido caso o intercâmbio entre as regiões não fosse realizado.
A diminuição do consumo no horário de pico de demanda (entre 18 e 20 horas) ocasionada pelo horário de verão possibilitou às usinas paranaenses reduzir o escoamento da água utilizada para movimentar as turbinas nas usinas nesse horário, aumentando o índice dos reservatórios. O consumo no horário de pico, passou para uma média de 3.080 MW, 9,2% a menos do que o registrado antes da implantação do horário de verão.
Mas a maior redução no consumo devido ao horário de verão é verificada em São Paulo, o que também ajuda as usinas paranaenses. ''Com a redução do consumo em São Paulo, as reservas da região Sudeste podem ser redirecionadas para o Paraná. As reservas do Sudeste estão em cerca de 40%, e agora começa o período de chuvas na região'', explicou a gerente de Operações do Sistema Elétrico da Copel, Ana Rita Mussi. A distribuição da energia entre os estados é feita pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão vinculado ao governo federal que coordena o sistema nacional interligado de fornecimento de energia.
Mesmo com uma perspectiva de apagão a princípio afastada, o ONS decidiu solicitar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a autorização para a importação de 1 mil MW de energia da Argentina, para diminuir a demanda sobre as usinas da Região Sul. A resposta da Aneel à solicitação deve ser publicada hoje no Diário Oficial. Além disso, a possibilidade de se comprar energia de termoelétricas instaladas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul também é estudada pelo ONS caso a quantidade de chuva nos próximos meses não atinja o volume esperado.


