Energia de Itaipu está 12,10% mais cara
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, ontem, o reajuste de 12,10% na tarifa de repasse de energia produzida pela Itaipu Binacional. Com base na Portaria nº 338/05 do Ministério da Fazenda, publicada na última sexta-feira, o custo do quilowatt passa de US$ 19,2071 para US$ 21,5311, retroativo a 1º de outubro e com validade até 31 de dezembro de 2006.
Esse aumento terá impacto em menor proporção nas contas de energia dos consumidores do Sul e Sudeste do País, mas somente na data de reajuste anual das distribuidoras. Segundo informações da Itaipu, o maior reajuste será de 2,90%.
No caso da Companhia Paranaense de Energia (Copel), a tarifa somente sofrerá novo reajuste em junho. O último aumento autorizado pela Aneel foi de 7,8%, mas o governo do Estado decidiu manter a política de desconto para os consumidores que pagam as contas em dia em índice próximo ao do reajuste (7%).
A Copel informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a energia comprada de Itaipu cerca de 6% da produção total da usina é um dos itens que entram no cálculo da composição tarifária.
Segundo informações da Aneel, a tarifa de repasse é o valor que será pago pelas distribuidoras cotistas para aquisição da energia da hidrelétrica, que é comercializada pela Eletrobrás. A energia de Itaipu representa, em média, 34,4% do total da energia adquirida pelas 18 concessionárias cotistas, localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
No cálculo da tarifa de repasse são considerados o custo unitário dos serviços de eletricidade da usina (US$ 20,50 por quilowatt); o custo da energia cedida ao Brasil pelo Paraguai (US$ 0,6225 por quilowatt); e o saldo da conta de comercialização da Eletrobrás (US$ 0,4086 por quilowatt)
De acordo com a assessoria de imprensa da Itaipu, a antecipação do reajuste servirá para compensar as perdas causadas pela apreciação cambial e pelos efeitos da alta da inflação americana, que corrige o saldo e as parcelas futuras de sua dívida.
Itaipu, que vende sua energia em dólar, alega que a valorização cambial do real e do guarani frente ao dólar, da ordem de 17% (de R$ 3,00 para menos de R$ 2,30) e 6% (de G$ 6.430 para G$ 6.066), respectivamente, reduziu sua capacidade orçamentária de realização de compromissos assumidos nas chamadas despesas de exploração (salários, custeio, manutenção e investimentos) em aproximadamente US$ 30 milhões.
A empresa alega, ainda, que as variações ocorridas no serviço da dívida (especialmente com o BNDES, Clube de Paris e Bônus), influenciadas pela correção monetária, variação cambial e valorização/depreciação de títulos no mercado internacional também impactaram nas contas da empresa. Somando esses e outros fatores, a Itaipu estima fechar o exercício de 2005 com déficit de US$ 71,3 milhões.


