A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) cobra do consumidor final quase o triplo do valor da energia elétrica cobrada pela Hidrelétrica de Itaipu, segundo a assessoria de imprensa da usina. Desde domingo, a Copel aumentou em 17,3% a tarifa de energia no Paraná e o que mais teria pesado no índice de aumento teria sido a variação dos custos nos últimos 12 meses decorrentes dos contratos da Copel com a Hidrelétrica de Itaipu. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou o reajuste.
Segundo a Itaipu, o argumento usado pela Copel é frágil porque o preço da energia cobrado pela hidrelétrica ‘‘é baixo em comparação aos lucros obtidos pelas distribuidoras’’, disse um assessor à Folha, ontem.
No ano passado, segundo as Demonstrações Contábeis de Furnas, Eletrosul e distribuidoras, a tarifa média de Itaipu por megawatt/hora foi de R$ 48,14 (ou cerca de US$ 25 pela variação cambial de 2000). A tarifa média paga pelos consumidores finais às distribuidoras, no entanto, foi equivalente a R$ 113,37 – o que representa um acréscimo de 135%.
Nos primeiros quatro meses de 2001 a tarifa média prevista por Furnas e Eletrosul, na compra de energia de Itaipu, era de US$ 32,87 e a realizada foi de US$ 28,01. Segundo a assessoria da Itaipu, a Copel cobrava, no mesmo período, US$ 82 pelo megawatt/hora.
Embora tenha uma cota mensal de 6,369%, a Copel não compra energia diretamente da Itaipu, mas de Furnas e da Eletrosul, que atuam como intermediárias. Há alguns meses, porém, a empresa não está mais comprando energia destas fontes, que estão repassando maiores cotas à região Sudeste. O Sudeste também está recebendo 800 megawatts de excedente do Sul e 1 milhão de megawatts da Argentina, que entra no linhão de Itaipu na subestação de Ivaiporã.
Segundo a assessoria de imprensa da Itaipu, a Copel está recebendo das companhias do Sudeste pela repasse de sua cota. A usina de Itaipu cobra em dólar por ser uma empresa binacional: metade brasileira e metade paraguaia. O Paraguai utiliza apenas 5% da energia gerada por Itaipu. A Folha tentou ouvir ontem a direção da Copel mas não obteve retorno das ligações telefônicas. O técnico da Aneel, Eduardo Alencastro, disse à reportagem, no início da noite, por telefone, que a Agência não considera a receita da companhia na hora de calcular o reajuste anual, que acontece em junho, mas leva em conta apenas os custos. ‘‘Levamos em consideração o contrato de concessão que a Copel tem com a Aneel. E, por esse contrato, a companhia compra mensalmente a sua cota de Itaipu’’, afirmou.
O técnico disse que os possíveis lucros e a produtividade da Copel só serão considerados pela Aneel em 2004, quando o contrato de concessão completar cinco anos. ‘‘Na revisão periódica, a receita será considerada na tarifa e o ganho será repassado ao consumidor’’.
No cálculo dos índices para os reajustes, a Aneel considera o repasse da variação dos custos que as empresas tiveram no decorrer de doze meses: custos não gerenciáveis (energia comprada, Conta de Consumo Combustível (CCC), Reserva Global de Reversão (RGR), taxa de fiscalização e encargos de transmissão); e custos gerenciáveis, sobre os quais incide o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas.

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