Brasília - O alto do custo da energia elétrica pode comprometer a competitividade de grandes empresas brasileiras no mercado internacional. Esta é uma das conclusões do estudo sobre o setor elétrico divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).
De acordo com Adilson de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do estudo, a forma com que a energia é gerada no país e os impostos que incidem sobre ela elevam o preço de um dos ''insumos'' mais importantes da indústria nacional. ''A energia é como uma matéria-prima. Se as empresas do país pagam mais por ela, acabam tendo produtos com preços mais elevados do que o de seus concorrentes internacionais'', diz ele
Segundo Oliveira, nos Estados Unidos, por exemplo, a energia elétrica custa, na média, 35% a menos do que no Brasil. Isso, considerando-se o dólar cotado a R$ 1,85. ''Nossas tarifas energéticas já não são competitivas internacionalmente.''
Sobre a geração, o estudo do Ipea aponta que a entrada de mais usinas termoelétricas no mercado energia são umas das causas do aumento. Apesar de o Brasil ainda ter nas hidrelétricas a sua principal fonte de energia, cada vez mais usinas a gás, diesel e até a bagaço de cana-de-açúcar têm fornecido eletricidade às distribuidoras. Elas, entretanto, cobram mais caro por isso o custo acaba sendo repassado aos consumidores.
Já sobre a carga tributária, Oliveira destaca que, do preço final da energia elétrica do país, 34% são tributos e outros 12% são encargos obrigatórios. ''A carga tributária é excessiva. Acho que o governo poderia agir para alterar isso.''
Para o professor, o preço da energia do país poderia facilmente reduzido pelo menos 10% no país.
Racionamento
O estudo do Ipea descarta o risco de racionamento de energia elétrica no Brasil. O documento aponta, entretanto, que o sistema elétrico não é confiável e que, portanto, precisa de investimentos.
''No âmbito da confiabilidade, há problemas tanto na rede básica de transmissão quanto nas redes de distribuição'', avalia o estudo assinado por Oliveira. ''Isso exige reforços na rede para evitar blecautes de grandes amplitudes, similares ao de novembro de 2009.''
O pesquisador acrescentou que as regiões Sul e Sudeste, as maiores consumidoras do país, estão se tornando cada vez mais dependentes da energia gerada na Amazônia. Como o caminho que a energia tem percorrer é longo, é necessário que a rede seja robusta, assinala.
''Um blecaute causa um prejuízo enorme para uma grande fábrica', afirmou Oliveira. ''Às vezes, demora-se dias para que as atividades sejam retomadas após um apagão.''
Para Oliveira, umas das soluções para esse problema é o fortalecimento do agente regulador, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ele disse que a agência precisa de mais investimentos para que possa fiscalizar o setor de forma mais efetiva.

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