Porto Alegre - A espanhola Enerfín recebeu ontem a licença de instalação - parte do licenciamento ambiental - para construir um parque gerador de energia eólica em Osório, no litoral gaúcho. O projeto prevê capacidade instalada de 150 megawatts (MW), num investimento estimado em US$ 150 milhões. O diretor-presidente da Enerfín, Guillermo Planas Roca, disse que o grupo irá buscar financiamentos em instituições nacionais e estrangeiras, incluindo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para parte do investimento.
Os primeiros contatos do grupo espanhol com o governo gaúcho foram feitos em 1999, com a ex-secretária de Energia, Minas e Comunicações Dilma Rousseff. Desde então, a Enerfín pesquisou o potencial de geração eólica do Estado e desenvolveu seu projeto. Em setembro de 2002, o governo divulgou o Atlas Eólico do Rio Grande do Sul, que identificou potencial para gerar 15.840 MW em solo firme. Os pontos de geração economicamente viáveis são aqueles com fator de capacidade (que define a produtividade) acima de 30%.
A Enerfín, divisão de energia eólica do grupo Elecnor, possui 400 MW instalados com esta fonte de geração, além de outros 880 MW em fase de desenvolvimento na Espanha. O diretor-presidente da empresa disse que a energia eólica precisa de um marco regulatório que possibilite sua incorporação. Com o tempo, as novas tecnologias desenvolvidas para esta fonte tornam a geração competitiva, analisou Roca. O custo de implantação varia entre US$ 800 mil e US$ 1 milhão por megawatt.
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), disse que discutiu na sexta-feira com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, a definição de uma cota para o Estado entre a parcela de energia eólica que deverá ser adquirida pela Eletrobrás. A tarifa de compra ainda não foi definida. De acordo com a Enerfín, haverá uma chamada pública para que os grupos interessados em produzir energia com fontes alternativas se candidatem a uma cota entre os 3,3 mil MW que devem ser adquiridos na primeira etapa do incentivo à diversificação da matriz energética.
A licença de implantação, entregue ontem pelo governador à Enerfín, é pré-requisito para que o projeto possa disputar uma cota desta energia, segundo a empresa. Além da implantação do parque eólico, o investimento da Enerfín inclui também a instalação de uma fábrica para a montagem dos aerogeradores.

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