Endividamento traz riscos à economia
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sábado, 09 de dezembro de 2006
Da Redação 
Não há quem conheça melhor a vida financeira das empresas e dos empresários do que os contabilistas. Eles têm todos os números nas mãos e esses números não andam muito animadores. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, os empresários estão empobrecendo. ''Ao analisar as declarações de renda das empresas e as declarações de pessoa física dos empresários você nota que eles estão vendendo patrimônio para manter suas empresas funcionando'', comenta Ribeiro. E a previsão para o próximo ano não é muito animadora. O próprio governo federal já reduziu a expectativa de crescimento deste ano para menos de 3% e para o ano que vem não deve passar disso.
Segundo o professor de contabilidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Claudenir Tarifa Lembi, o índice de endividamento da classe média também é muito preocupante, pois ela é um dos principais motores da economia brasileira. ''Com as taxas de juros a níveis muito elevados - uma das maiores taxas de juros do mundo - as vendas parceladas com prazos muito longos, principalmente pelas principais redes de loja, atraem os consumidores em busca de parcelas de pequeno valor. Nessa ciranda cria-se um círculo vicioso. Por achar que as parcelas são de pequeno valor, os consumidores acabam assumindo novas obrigações, afirma Lembi. Segundo ele, os consumidores não se preocupam com o valor final do produto, isto é, quanto ele realmente vai custar.
''A preocupação do consumidor é encontrar um valor menor nas parcelas. Isso acaba acarretando assumir parcelas em prazos muito longos. As facilidades de financiamento parecem ser atraentes. Porém, muitas vezes, o consumidor compra um eletrodoméstico, por exemplo, e no final do carnê percebe que comprou um produto, mas pagou por dois'', alerta Lembi.
Os chamados empréstimos pessoais também estão em alta. As financeiras disputam os clientes palmo a palmo. Os aposentados que tinham um rendimento aquém de suas necessidades, acabaram sendo seduzidos pela propaganda maciça e assumiram dívidas de longo prazo. ''Muitos assalariados e aposentados vão usar o décimo terceiro para amortizar dívidas, ou apenas diminuí-las, comprometendo assim as compras de fim de ano'', lembra o professor.
A situação está complicada que em São Paulo, relembra José Ribeiro, a Fundação Procon-SP inaugurou recentemente o Núcleo de Tratamento do Superendividamento, uma nova atividade, com objetivo de sensibilizar a sociedade para um problema que repercute não somente para o endividado, mas também em toda economia.
O chamado superendividamento é um fenômeno relativamente recente e em expansão e ocorre quando o consumidor toma crédito na praça, sem os cuidados necessários e compromete sua renda pessoal e familiar, tornando-se, em curto prazo, inadimplente e incapaz não só de saldar sua dívida, como também de adquirir novos produtos ou serviços que garantam sua sobrevivência.
Segundo Ribeiro, a pois a tendência é que aumente a inadimplência. ''Quando a pessoa está endividada e, mesmo assim, continua obtendo crédito sem analisar a necessidade e o risco, o caminho para a inadimplência é curto e isso pode colocar em risco vários segmentos da economia'', avalia Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)


