Curitiba - A quantidade de pessoas que buscou crédito cresceu 1,8% em 2013 em relação a 2012. Foi o segundo ano consecutivo de fraco desempenho nesse setor, já que, em 2012, a demanda tinha recuado 3,1% na comparação com 2011. De acordo com a Serasa Experian, que realizou a pesquisa da Demanda do Consumidor por Crédito, os principais motivos que levaram o brasileiro a buscar menos financiamentos e empréstimos foram a alta da inflação, a elevação do endividamento e da inadimplência, o aumento dos juros e do custo do crédito e a alta do dólar.
Em 2010 e 2011, a procura por crédito tinha crescido 16,4% e 7,5%, respectivamente. De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, a inadimplência teve um crescimento forte a partir de 2012, o que fez com que as pessoas não tivessem mais espaço para se endividar. Com isso, os bancos também adotaram uma postura mais seletiva e criteriosa para a concessão de novos financiamentos. Aliado a isso tudo, o governo federal ainda vem aumentando sistematicamente os juros, o que esgota a capacidade do consumidor de absorver mais crédito.
Rabi lembrou que o nível de inadimplência no Brasil chegou a 15% em 2012 e, no ano passado, foi de 2%. Ele disse que este percentual de 2013 aponta que o consumidor passou o ano de 2013 tentando reduzir a inadimplência. A pesquisa da Serasa leva em conta todo tipo de crédito desde compras em lojas de departamentos até financiamento imobiliário.
O economista e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Faculdade Estácio, Daniel Poit, também concorda que houve uma ‘’saturação na capacidade de endividamento das pessoas’’. Além disso, a renda do brasileiro não vem crescendo tanto como em anos anteriores. Ele também destacou que os bancos têm oferecido prazos menores para os financiamentos.
A pesquisa apontou ainda que os consumidores que ganham até R$ 500 por mês lideraram o aumento da demanda por crédito em 2013. Nessa faixa salarial, a demanda cresceu 8,4%, contra 3,7% daqueles que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 mensais.
Rabi explicou que o consumidor de baixa renda teve crescimento real do salário mínimo o que, de certa forma, traz um certo ‘’alívio’’ para a capacidade de pagamento desta camada da população. Estes brasileiros também têm sido atendidos pelo Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal para compra de imóvel.
Já para os consumidores com rendimentos mensais entre R$ 1.000 e R$ 2.000, houve queda de 0,1% na demanda por crédito. A diminuição foi de 2,4% entre os que ganham entre R$ 2.000 e R$ 5.000 e de 3,4% para os que têm rendimento acima de R$ 10 mil por mês.
No ano passado, a maior procura por crédito se concentrou nas regiões Norte (10,2%) e Nordeste (8%). No Sul, a alta foi de 3,8% em 2013. Já as regiões Sudeste e Centro-Oeste registraram queda de 0,8% e 4,4% na demanda, respectivamente. Segundo Rabi, o bom resultado da safra agrícola influenciou no Sul.
Ele acredita que, neste ano, a demanda por crédito terá crescimento parecido com 2013. Isso porque o salário mínimo vai ter crescimento menor e o Produto Interno Bruto (PIB) também deve crescer menos. Além disso, os juros não devem cair. Já Poit, prevê aumento na demanda por crédito devido às incertezas no cenário econômico nacional e internacional.

Imagem ilustrativa da imagem Endividamento reduz demanda do consumidor por crédito
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