O percentual de famílias endividadas na Região Sul atingiu 72,2% no mês de maio, índice maior que a média nacional que foi de 62,4%. Houve crescimento do volume de endividados tanto no País como no Sul. Em abril, o percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros tinha sido de 61,6% no Brasil e de 71,6% no Sul.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Vale lembrar que endividada é qualquer pessoa que tenha uma dívida em curso que pode ir desde uma compra parcelada no cartão de crédito até o financiamento de um carro. Já o inadimplente é aquele que está com o pagamento atrasado de uma dívida acima de 90 dias, segundo definição do Banco Central.
O economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC) de Londrina e da Faccar de Rolândia, Márcio Massaro, explica que, no Sul, há um padrão de consumo mais alto e, com isso, as pessoas assumem mais dívidas. No entanto, ele alerta que, mais para frente, o endividamento pode se tornar inadimplência.
A pesquisa mostrou ainda que a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na comparação mensal, passando de 19,7%, em abril, para 21,1%, em maio no País e de 23,3% para 23,4% no Sul.
Além disso, o porcentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, tenderiam a permanecer inadimplentes, também aumentou alcançando 7,4% em maio de 2015, ante 6,9% em abril passado no Brasil. Já no Sul, taxa ficou em 9,8% em maio contra 10,7% em abril.
A economista da CNC, Marianne Hanson, destacou que o aumento do endividamento é uma tendência que vem já desde o início deste ano. Esta alta registrada em maio é a quarta consecutiva. "As famílias também estão mais pessimistas em relação ao endividamento", disse.
Para ela, a alta do endividamento em maio reflete o aumento do custo de vida e ainda o fator sazonal dos gastos do primeiro semestre como tarifas e impostos. Com isso, as famílias recorrem ao crédito para cobrir o aumento do custo de vida.
No Sul, os tipos de dívidas que mais deixaram o consumidor endividado em maio foram cartão de crédito (71,6%), financiamento de carro (15,5%) e carnês (9,6%). Marianne explica que o endividamento no cartão considera consumidores que compraram parcelado e aqueles que caíram no rotativo do cartão. Ela lembrou que o cartão vem substituindo outras formas de pagamento como o carnê e o cheque pré-datado.
A pesquisa também revelou que o endividamento é maior para as famílias de renda menor. O percentual de endividamento para as pessoas com renda menor do que 10 salários mínimos é de 63,7% e, para os que recebem acima de 10 salários, o nível de endividamento cai para 56,2% no mês de maio.
Marianne disse que o endividamento é maior onde há menos recursos porque, quanto menor a renda, maior é o comprometimento do orçamento com itens básicos como alimentação e habitação. "Nestes casos, o orçamento é mais rígido e mais difícil de acomodar situações de desemprego e reajuste salarial abaixo da inflação", disse.
Outro dado preocupante da pesquisa é que entre os 21,1% de brasileiros que estão com dívidas em atraso, 42,3% deles estão sem honrar os pagamentos acima de 90 dias, o que representa 8,8% das famílias com contas em atraso acima de três meses.

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