Endividamento deve manter concentração de terras
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terça-feira, 10 de julho de 2007
Alexandre Inácio,Ana Conceição e Luciana Xavier<br> Agência Estado 
São Paulo - O endividamento do setor agrícola está provocando uma avalanche de consequências que ainda não despertaram muita atenção. Uma delas é a concentração de terras que deve continuar acontecendo na avaliação do consultor André Pessôa, diretor da Agroconsult. ''A concentração deveria ser a chave da discussão de políticas públicas para evitar que ela ocorra. A forma que o governo vai intervir é que vai determinar o ritmo que a concentração vai continuar acontecendo'', disse Pessôa.
Juntamente com o endividamento, o aumento dos custos de produção, as condições logísticas para escoamento precárias e a desvalorização do dólar são fatores que deverão interferir diretamente na área plantada da próxima safra. Segundo Pessôa, com o atual nível dos preços da soja no mercado internacional, que já superam os US$ 9,00 por bushel, a resposta poderia ser semelhante à que ocorreu quando os preços chegaram a esse patamar. ''Naquela época, tivemos um aumento de 3 milhões de hectares na área de soja e agora teremos um aumento de apenas 1 milhão'', disse.
De acordo com o consultor, o aumento da área de soja acontecerá principalmente nas regiões Sul e Sudeste, em substituição às áreas de milho. Com a rentabilidade por hectare muito próxima entre as duas culturas, os produtores deverão optar pela soja, cultura que possui um custo de produção inferior ao milho. No caso do Centro-Oeste, a região deverá recuperar a área de soja perdida na safra 2006/07, mas não será suficiente para compensar toda a redução. ''Prevemos um aumento de apenas 5% na área plantada com soja na safra 2007/08'', afirma.
Sobre o endividamento, o consultor lembra que ele sempre existirá, uma vez que o agronegócio é uma atividade que requer investimentos constantes em maquinário, estrutura de armazenagem, entre outras coisas. Já a dívida provocada pela falta de renda dos agricultores precisa, segundo Pessôa, ser ajustada à capacidade de produção e de pagamento dos produtores. ''Feito isso, a dívida pode ser paga em quatro anos'', afirma.


