Endividamento chega a 80% do PIB agrícola
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terça-feira, 24 de julho de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A crise que atingiu a zona rural nas duas últimas safras levou os produtores agropecuários a um endividamento de R$ 73,4 bilhões. Esse valor representa cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola. Os dados são do Banco Central e, segundo o pesquisador Gervásio Rezende, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - órgão ligado ao Ministério do Planejamento -, a relação dívida/PIB é a maior da história do País. ''E há quem diga que esses dados estão subestimados'', afirmou.
A política agrícola foi discutida ontem durante o 45º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), evento que está sendo realizado no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Conforme dados apresentados, de 1995 a maio deste ano, a dívida total dos agricultores (comercialização, custeio e investimentos) cresceu mais de 70%. Em 95, o total do débito era de R$ 42,3 bilhões, enquanto até maio o valor chegava a R$ 73,4 bilhões. Este total (até maio de 2006) está dividido em R$ 4,1 bilhões (comercialização), R$ 30,6 bilhões (custeio) e R$ 38,6 (investimentos).
No entanto, segundo Rezende, a maior parte deste volume foi contraída antes da crise da agricultura (das safras 2004/05 e 2005/06). ''Neste período, houve a combinação de preços baixos e quebra de safra em função da estiagem. Mas as dívidas foram contraídas na fase de euforia, que ocorreu após a desvalorização cambial de 99 que elevou os preços agrícolas e gerou muita expectativa'', afirmou. Ele acrescentou que foram assumidos endividamentos, a longo prazo, para investimentos, principalmente de frota e modernização, diminuindo a capacidade de pagamento dos agricultores.
O pesquisador acrescentou que a relação dívida/PIB aumentou porque foi favorecida pela queda do PIB (devido às produções menores) e aumento do endividamento (agravado pela crise). ''Agora o aumento da safra e dos preços vai trazer um alívio para o setor'', argumentou. Por isso, Rezende defende um risco solidário entre agricultores e indústrias. ''Não é só o setor agrícola quem deve ficar com os encargos. As indústrias devem ter responsabilidade solidária porque também são beneficiados quando a agricultura vai bem, as indústrias têm muitos benefícios e isso tem que mudar'', salientou.
Ele explicou que as montadoras abriram seus bancos de financiamento e recebem linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar seus produtos. Segundo Rezende, esta proposta deverá ser levada ao governo federal pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Política - Durante o evento da Sober, Derli Dossa, assessor do ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, discorreu sobre as políticas prioritárias do ministério. Seriam prioridades: redução do endividamento dos agricultores (que, segundo ele, estão destinados cerca de R$ 58 bilhões), controle sanitário, programas de agroenergia, infra-estrutura logística e biotecnologia. Segundo ele, o governo também está trabalhando pela redução do custo dos insumos, inclusive, visitando países exportadores de matéria-primas em busca de parcerias.
Além disso, Dossa lembrou que no final do ano passado o governo liberou os ''genéricos'' dos fertilizantes com a intenção de reduzir custos. Ele ainda acrescentou que o ministério é favorável à importação de produtos desde que aprovados no País.


