Endividamento alto motivou colapso
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terça-feira, 11 de setembro de 2018
Folhapress 
Flórida e Nova Jersey,EUA - Maior economia do mundo com um PIB de US$ 20 trilhões, os EUA acabam de completar 110 meses de expansão econômica, o segundo maior ciclo em 164 anos, de acordo com o NBER (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês). Normalmente, esses ciclos duram menos de 40 meses, em média.
Embora os EUA e a maioria dos países desenvolvidos tenham deixado a Grande Recessão para trás, o motivo na raiz da crise segue presente: famílias, empresas, governos e bancos continuam altamente endividados, fato que motivou o colapso há dez anos. Na prática, com a exceção dos bancos, submetidos a nova regulamentação após a crise, o endividamento global em dólares é superior ao do nível anterior a 2008.
Após o estouro da crise e para salvar bancos e empresas do destino do Lehman Brothers, o Fed (banco central dos EUA) e o BCE (Banco Central Europeu) promoveram cortes agressivos em suas taxas de juros e adquiriram trilhões de dólares em títulos de empresas e governos para injetar liquidez na economia como um todo.
No caso dos governos, houve um aumento, em dólares, de 81% no endividamento global. Como proporção do PIB mundial, as dívidas estatais passaram de 64% para 84%. Nas empresas não financeiras, a alta em dólares foi de 61% - e de 79% para 92,5% como proporção do PIB global.
Ao constatar um mundo "mais afundado em dívidas do que há dez anos", o FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou há algumas semanas para dois riscos principais. Primeiro: o alto endividamento pode dificultar a rolagem dos débitos e obrigar os governos a pagar mais juros, agravando o quadro. Segundo: em uma nova crise ou recessão mais forte, os governos, já muito endividados, não teriam tanto espaço para socorrer empresas, bancos e famílias.
FINAL DE CICLO?
Nos EUA, há sinais de que o atual ciclo de expansão pode estar perto do fim, como o elevado endividamento das empresas e a taxa de desemprego, extremante baixa. Isso já pressiona salários e a inflação, o que deve levar o banco central americano a subir mais os juros nos próximos meses, esfriando a economia.
Os recentes estímulos fiscais, com cortes de impostos de empresas e aumento do gasto público adotados pelo governo Donald Trump, também são vistos como ameaça.
O estímulo, declarou recentemente Ben Bernanke, à frente do Fed durante a Grande Recessão, "não podia ter chegado em momento mais equivocado, quando a economia está aquecida e vivendo uma situação de pleno emprego". Em dez anos, os cortes de impostos e mais gastos poderão aumentar o déficit do país em US$ 1,6 trilhão.
Antes disso, o esperado é que o Fed seja obrigado a subir mais os juros para segurar a inflação e financiar um déficit público crescente. (F.C./Folhapress)


