O resultado da Peic (Pesquisa de Comprometimento de Renda e Inadimplência) de maio apontou que o londrinense está restringindo as compras parceladas e que duas em cada seis famílias com dívidas estão com as contas atrasadas.

Na comparação com a pesquisa anterior realizada pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), o comprometimento da renda da família caiu de 62,6% para 58,8%, enquanto que, do total de pesquisados, os que se declararam com contas em atraso caiu de 36,2% para 24,8%. As que não terão condições de pagar pelo menos parcialmente suas dívidas subiu de 9,1% para 17%.

"De uma ponta temos os juros altos e a falta de disponibilidade de crédito e, na outra, vemos as pessoas inseguras em relação a renda e ao emprego e reticentes em assumir compromissos a longo prazo", analisou o economista Marcos Rambalducci, responsável pela Peic e colunista da FOLHA.

O economista ressaltou que o comprometimento de renda baixa deixa a expectativa positiva para o momento em que a economia se recuperar. "O varejo vai encontrar um público com capacidade de crédito", explicou Rambalducci.

Das famílias que afirmam ter dívidas 23,3% declararam ter alguma delas em atraso. "De cada dez famílias seis têm dívidas. Destas, duas estão com contas atrasadas e metade afirma que não conseguirá regularizá-las", disse o economista.

Este indicador recai sobretudo nas famílias com renda igual ou inferior a dez salários mínimos, cujo percentual de contas em atraso é de 25% contra 6% em relação às famílias com renda superior a dez salários mínimos.

Imagem ilustrativa da imagem ENDIVIDAMENTO - Consumidor está reticente em comprar a prazo



BRASIL
O porcentual de famílias com dívidas alcançou 59,1% em maio, ante 60,2% em abril, mostrou a Peic, divulgada nesta terça-feira (5), pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A inadimplência também caiu, já que a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso passou de 25% em maio para 24,2% em abril.

Os indicadores registraram queda também em relação a 2017. O porcentual de famílias com dívidas caiu 1,6 ponto porcentual ante maio do ano passado. Já a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso recuou 1,3 ponto porcentual.

Além disso, a proporção de famílias que declararam não ter condições de pagar as suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, tendem a permanecer inadimplentes, passou de 10,3% em abril para 9,9% em maio de 2018, apresentando queda também em relação aos 10,1% verificados em maio do ano passado.

"A redução do endividamento observada nos últimos meses reflete um ritmo menor de recuperação do consumo das famílias e uma maior cautela na contratação de novos empréstimos e financiamentos", disse, em nota, Marianne Hanson, economista da CNC.

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas diminuiu em relação a abril, passando de 14,2% para 13,4% do total de entrevistadas. Na comparação anual, também houve queda de 0,9 ponto porcentual. Segundo a CNC, o resultado de maio de 2018 é o menor patamar para endividamento excessivo desde novembro de 2015.

O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida, apontado por 75,7% das famílias entrevistadas na pesquisa nacional. Em seguida, vêm os carnês (16,3%) e, em terceiro lugar, o financiamento de carro (11,1%).

De acordo com Rambalducci, o parcelamento no cartão de crédito é uma boa opção em tempos de crédito restrito, pois o consumidor está pagando o valor à vista parcelado. Mas o economista alerta que as vantagens do cartão acabam se o consumidor entrar no rotativo do cartão. (Com Agência Estado)

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